Diário de Notícias - 5
Fev 07
Marcha pelo 'não' no Porto sob o trompete do
"Dragão"
Alfredo Mendes
Apesar do desaire desportivo da véspera, trajado de
azul e branco, ele marcou a passada da marcha: o
homem do trompete. Há décadas que anima as grandes
tardes no estádio do FC do Porto, que o seu timbre
melódico atiça as forças anímicas dos planteis.
Ontem, a partir do Cubo da Ribeira, motivo
escultórico de José Rodrigues, o homem do trompete
foi o protagonista da marcha pelo "não" realizada
pelo movimento "Norte pela Vida".
Ciclistas domingueiros em fatos-de-treino, balões,
bandeiras "não" e, à frente, o rufar dos tambores
dos Mareantes do Rio Douro, sempre de serviço para
romaria e comício. José Pedro Aguiar-Branco,
deputado do PSD e presidente da Assembleia Municipal
do Porto, deixou as miniaturas de automóveis que
preenchem as suas horas vagas para participar na
caminhada.
Ribeiro e Castro, líder do CDS-PP, com o Douro a
seus pés, leria as dez medidas contra o aborto
clandestino. Defendeu o combate contra "o
obscurantismo" e o desenvolvimento e financiamento
de uma rede nacional de Centros de Apoio à Vida. A
décima aponta para o prosseguir da humanização "do
funcionamento da Justiça e do processo penal".
Lida a proclamação, Ribeiro e Castro partiu para
outras paragens. Lenta, a marcha sob as notas do
homem do trompete. Atravessa a ponte Luís I e
termina no cais de Vila Nova de Gaia, junto à
clausura do vinho do Porto. Por sinal, essência da
paixão de um dos ciclistas da marcha, o prestigiado
enólogo Soares Franco. O parteiro de notáveis vinhos
gerados no Alto Douro.