| Público - 25 Fev 04
Programa de Alcoolismo Dá Resultados na Associação Industrial
Portuguesa
Por LUSA
A Associação Industrial Portuguesa (AIP) tem os resultados dos três
primeiros anos de funcionamento do Programa Solidariedade, uma iniciativa
que pretende combater o alcoolismo e as toxicodependências dentro das
empresas. A responsável pela aplicação do programa, Irene Santos, salienta
que, apesar de os rastreios serem dissuasores, o alcoolismo é um "problema
cada vez mais grave".
Segundo dados fornecidos pelo coordenador do programa, Luís Morales, à
agência Lusa, em 2001, ano de arranque do projecto, foi detectada uma
média de consumo de álcool de 0,33 gramas por litro, número que desceu
para os 0,19 g/l no ano seguinte e que voltou a subir em 2003 para 0,23
g/l, num total de 350 trabalhadores.
Irene Bastos, médica da AIP, explicou que esta subida no último ano teve a
ver com "uma maior adesão aos testes" por parte dos trabalhadores, pois os
rastreios, efectuados quatro vezes por semana, são aleatórios,
confidenciais e facultativos. As pessoas podem recusar fazer o teste, o
que "não tem acontecido", apesar das discrepâncias entre o número de
funcionários seleccionados para o rastreio e os que efectivamente
comparecem. Irene Bastos explica que as que faltam são pessoas que estão
em reuniões ou em serviço externo.
Em 2003 foram convocados 790 trabalhadores e rastreados somente 492, no
ano anterior dos 584 seleccionados apresentaram-se 392, e em 2001 foram
efectuados 323 rastreios entre 556 convocações.
A responsável pela aplicação do programa salienta que "a AIP é um pequeno
núcleo que mostra a realidade nas empresas em geral": "Tem-se verificado
um aumento no consumo de álcool", defende a médica. Relativamente a esse
problema, dos diversos casos detectados somente três se submeteram a
tratamento e, de acordo com a médica da AIP, com sucesso.
Segundo Irene Bastos, as pessoas são "convidadas a integrar um programa de
tratamento quando os testes acusam, por duas vezes consecutivas, níveis
superiores a 0,5 g/l". A empresa paga os dois primeiros tratamentos,
mantém o ordenado e reintegra o trabalhador nas suas funções, mas quando
há necessidade de um terceiro tratamento a AIP, apesar de já não se
responsabilizar, também não despede a pessoa.
Para já, e segundo explicou Luís Morales, só foram feitos os rastreios ao
alcoolismo, estando os das drogas previstos para "muito breve". No
entanto, já foi detectado um caso de consumo de drogas - uma recaída a que
a empresa já custeou dois tratamentos.
O presidente da Comissão de Trabalhadores afirmou à Lusa que o "programa
tem estado a resultar". "O que nos interessa é que o programa não visa
penalizar pessoas, mas ajudá-las", disse Joaquim Oliveira.
O Programa Solidariedade, que conta com o apoio da Comissão de
Trabalhadores, da Comissão de Protecção de Dados e das duas centrais
sindicais, UGT e CGTP, foi buscar a sua inspiração ao projecto de combate
ao álcool e à droga da Marinha. Luís Morales está agora disposto a passar
a experiência que a AIP adquiriu com este programa a outras empresas. [anterior] |