A Sida cresce em
Portugal? “ -Ah! É tudo por falta de Educação Sexual...!”
Os jovens portugueses não
ligam e continuam com comportamentos de risco? “- Dêem-lhes Educação
Sexual...!”
Os Portugueses têm uma
das mais altas taxas de gravidez na adolescência? “- O que faz falta é
Educação Sexual nas escolas ...!”
O aborto é um flagelo em
Portugal? “- Então mude-se a lei e...Educação Sexual já! Aborto?! Oh
,filha, claro que o aborto é uma coisa horrível, mas quem é que se
preocupa com isso? Olhe, nos outros países já nem se fala nisso! Nós é que
estamos sempre atrasados! A Educação Sexual é que é preciso ...!”
...pois é, parece que o
politicamente correcto e o que está aí na ordem do dia é considerar a
Educação Sexual como a panaceia para todos os males !
No Parlamento, nos
corredores, nas sedes dos vários partidos, nas revistas, nos jornais, nos
cafés e autocarros, todos discutem o tema.
Mas afinal- perguntarão
os mais distraídos e talvez quem não tenha filhos, nem netos em idade
escolar – que histeria é esta e porquê tanta celeuma?
Na verdade, é caso para
nos perguntarmos, como é que tanta gente sobreviveu sem Educação Sexual na
escola e ainda por cima, sabia o que era amizade, atracção, amor, namoro,
paixão, casamento, fecundidade, gravidez... e também sabia, ou aprendia,
mais tarde ou mais cedo, o que era erotismo, adultério, homossexualidade,
promiscuidade, pornografia, doenças sexualmente transmissíveis...e
conseguia distinguir Bem e Mal, e conhecia o significado de palavras como
respeito, fidelidade, liberdade e responsabilidade...? E não eram felizes
?
Que aconteceu de tão
estranho nas famílias para as mães e pais terem deixado de saber explicar
aos seus filhos os mistérios mais naturais e belos da vida humana, como se
se tratasse de novíssimas tecnologias, destas que implicam tirar
complicados cursos de computadores, teclados, botões e Internets? Que se
passa com os professores de Biologia, os compêndios de Ciências, os velhos
desenhos do corpo humano e as antigas aulas de Psicologia que falavam de
emoções, paixões e outras coisas mais, que nos iam abrindo os olhos
gradualmente, nos tornavam observadores e nos ensinavam como reagimos nas
mais diversas situações? E como é que os adultos de hoje já não conseguem
fazer-se ouvir, nem precaver os jovens contra todos os perigos ?
Afinal o quê que está a
falhar?
E por que razão não nos
conseguimos entender, como se fossemos falantes de línguas diferentes, ou
irmãos desavindos?
...pois é, o problema é
que não conseguimos entender-nos acerca do que importa ensinar às crianças
e jovens, nem a quem cabe essa função de ensinar, nem sequer o que se
pretende atingir com esses ensinamentos, porque esta matéria não é, nem
nunca será neutra, na medida em que implica opções pessoais, livres e
responsáveis, que se traduzem em valores, comportamentos , atitudes e
formas de estar na vida que nos marcam profunda e irremediavelmente.
É por isso, que nunca
conseguiremos estar todos de acordo. E por isso, quem governa não pode
esquecer que se os pais são os primeiros e principais responsáveis pela
educação dos seus filhos , como tal, têm direito a escolher o que querem
para os seus filhos e não lhes pode ser imposto um modelo único e
totalitário !
Na verdade, a Educação
Sexual não começa na escola com a explicação do aparelho reprodutor, não
termina com os conselhos sobre métodos de contracepção ou como evitar
gravidezes precoces, nem tão pouco visa em especial, reduzir drasticamente
a sida e outras doenças sexualmente transmissíveis.
Educação Sexual é muito
mais do que isso, porque ela faz parte da Educação dos Afectos, que por
seu turno é abrangida por aquilo que se chama de Educação Integral, isto é
que comporta Educação Intelectual, Física, Artística, Moral e Espiritual.
Com efeito, não educamos
uma criança para o sexo, mas sim para o amor, no amor e com amor e isso
significa que a sua principal referência desde que abre os olhos, é o amor
que recebe de quantos a rodeiam, através do tacto, dos beijos, dos
sorrisos, da ternura e cuidados com que a envolvem e através do amor que
aos poucos vai presenciando à sua volta entre os próprios pais, irmãos,
avós, etc à medida que cresce.
Se hoje chegámos onde
chegámos, as responsabilidades cabem não só às famílias em desagregação e
conflito, sem tempo nem lugar para crianças, mas também à escola,
educadores e políticos, confusos e desorientados nas suas próprias vidas,
saberes, papéis e convicções, e ainda aos Media que espelham ,e
continuamente, multiplicam à exaustão, os erros da sociedade de consumo
que criámos...
Com efeito, a nossa é uma
sociedade que permanentemente busca o lucro a qualquer preço, que tudo
transforma em objecto de compra e venda, que incentiva ao gozo
irresponsável e ao prazer fácil, ao ter já, aqui e agora ,sem espera, sem
mérito, sem esforço e sem honestidade, ao poder efémero e provisório, sem
escrúpulos nem limites, tudo resumindo ao “ goza agora e não te preocupes
com o depois”, “pensa em ti e os outros que se lixem”( passe a
expressão!)...
Como poderemos confiar a
Educação Sexual dos nossos filhos a quem assim pensa? Como poderemos
ficar tranquilos se soubermos que na escola dos nossos filhos há máquinas
de preservativos ao dispor e lhes dizem entre muitas outras coisas, que
“as relações sexuais entre namorados são perfeitamente aceitáveis desde
que não haja gravidezes indesejáveis, usem preservativo e, se possível,
estejam apaixonados?”
E como poderemos ficar
indiferentes ao saber que , por exemplo, a mentalidade actual já permite
que num exame de faculdade se peça , hoje, aqui e agora, que os alunos
descrevam / inventem a estratégia a usar para convencer/ persuadir (os
partidos tal e tal) a aceitarem o aborto e o seu novo referendo?
Como nos poderemos
entender? Como confiar a estes “iluminados” a educação da inteligência, da
vontade e dos sentimentos dos nossos filhos?
Como poderemos nós
ensinar aos nossos filhos ,crianças, adolescentes e jovens, a serem
responsáveis nas suas decisões, a enfrentarem com fortaleza as
dificuldades, contradições e dores, a empenharem-se generosamente na
defesa de ideais de solidariedade, por exemplo, a estudarem com esforço e
perseverança para serem alguém e tornarem este mundo melhor com o seu
trabalho e o seu serviço, se depois na escola e nos Media se deparam com
uma perfeita lavagem ao cérebro diária, com mensagens consumistas,
massificantes e medíocres , cheias de um relativismo agnóstico, vazio e
materialista, mascarado de uma alegria alarve e de um vago sentimentalismo
confuso e egoísta...?
E querem que nos calemos
e votemos arrastados por modas e pressões ?
Por favor, caros pais e
educadores, acordem, estejam atentos, vão às escolas e saibam o que lá se
passa e o que andam os vossos filhos a aprender , antes que seja demasiado
tarde! Não deixem que outros decidam por vós! Não cruzem os braços !