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Público - 9 Fev 04
Instituto Português do Sangue Denuncia "Praga" de Pedidos de Dádiva por
"E-mail"
Por LUSA
O Instituto Português do Sangue (IPS) tem reservas suficientes para suprir
as necessidades dos hospitais e os frequentes pedidos de sangue que
circulam na Internet são uma "brincadeira de mau gosto", garante o
director daquele organismo, José Almeida Gonçalves.
O crescente fluxo de "e-mails" a pedir sangue levou o director do IPS a
responder pela mesma via para assegurar que não falta sangue e esclarecer
"os incautos que caem de bom coração nesta iniciativa" sobre a falsidade
da mesma.
Almeida Gonçalves considera que estes falsos pedidos geram "perturbação da
ordem pública e da organização da transfusão", o que o levou a responder.
No texto, divulgado electronicamente, esclarece: "Todos os' e-mails' a
pedir sangue são falsos, são produzidos e libertados em anonimato, dando
referências falsas (telemóveis com números não atribuídos ou inactivos,
direcções que não existem, nomes falsos, doentes que nunca existiram, em
hospitais que nunca os tiveram)". Uma autêntica "praga".
O presidente do IPS lembra que o instituto "tem toda a responsabilidade de
conseguir os componentes sanguíneos" para quem precisa e que "tem reservas
de sangue para isso"; e "quando não, tem mecanismos de encontrar e
alcançar esse sangue na rede nacional de transfusão".
"Não se pede sangue à toa por 'e-mail'", salienta, acrescentando que "o
grupo de sangue B Rh- (o que normalmente é pedido), nem é assim tão
difícil de conseguir e um bebé só consome pequenas quantidades, de cada
vez, de uma unidade de sangue dada por um dador, em função do seu próprio
tamanho". Ou seja, "como se pode imaginar que o país não tem B Rh-?"
Um dos aspectos negativos destes "pedidos de sangue direccionados" (para
uma pessoa específica) salientados por Almeida Gonçalves é a "situação
emocional destas mensagens, que criam paixão de socorro", podendo por isso
levar pessoas a dar sangue "de forma coerciva, não valorizando certas
situações da sua vida, como comportamentos de risco, omitindo-as na
conversa com o médico".
De acordo com o director do IPS, "nos últimos 15 dias a circulação de 'e-mails'
de pedido de sangue para o mesmo bebé atingiu proporções nunca vistas, o
que gerou perturbação e uma revolta imensa: por que se brinca com estas
coisas, com a vida e com a generosidade e solidariedade das pessoas?".
Foi por esta razão que José Almeida Gonçalves sentiu que era altura de
actuar. "Estamos permanentemente ao telefone a saber o que se está a
passar nos serviços. Não estamos numa redoma a ver 'e-mails'. Sabemos das
necessidades dos hospitais", sublinhou.
O responsável lembra que o IPS pede sangue todos os dias a pessoas entre
os 18 e os 75 anos e que espera dádivas voluntárias, qualquer que seja o
tipo de sangue, para armazenar em frigoríficos. No ano passado,
acrescenta, o instituto recolheu cerca de 320 mil unidades de sangue e as
dádivas estão a crescer, desde há dez anos, a uma média de 10 a 15 mil
unidades por ano.
Almeida Gonçalves diz ainda que "todos os dias se colhe sangue, mais ao
sábado e mais ainda ao domingo, em três centros regionais que fazem seis a
sete brigadas por dia". Quando chega segunda- feira, 2500 unidades já
estão a ser estudadas e a começar a ser libertadas.
"Temos reservas de sangue, temos organização nacional bastante para suprir
dificuldades momentâneas e temos centenas de unidades de B Rh- para
centenas de bebés", insiste.
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