|
Público - 8 Fev 04
Minho-Lima:
políticas diferentes, tarifários diferentes
Se um habitante da designada região do Minho-Lima, que corresponde, em
termos territoriais, ao distrito de Viana do Castelo, decidisse o local da
sua residência baseado, única e exclusivamente, nas tarifas da água, do
saneamento e do lixo que são praticadas por cada um dos municípios,
escolheria, à partida, viver o mais a norte possível. A julgar pelas
amostras de tarifários recolhidas pelo PÚBLICO nos concelhos de
Monção,Valença, Viana do Castelo e Ponte de Lima - dois de cada uma das
futuras organizações administrativas que se estão a desenhar a nível
distrital (Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho e Comunidade Urbana
Valimar), alicerçadas nas (quase) extintas associações de municípios dos
vales do Minho e do Lima -, pode dizer-se que, de um extremo do distrito
ao outro, o preço da água duplica. Uma realidade que reflecte, acima de
tudo, as diferentes políticas que vão sendo adoptadas pelas câmaras
municipais, que, pelo menos até 2007, altura em que o abastecimento em
alta passará para as mãos da empresa Águas do Minho e Lima, vão continuar
a ter o sector das águas totalmente sob a sua alçada.
A facturação da água depende, em todos os municípios consultados, dos
níveis de consumo e do tipo de consumidor, e baseia-se numa tabela que
determina diferentes escalões para cada tipo de situação. O que se
verifica é que, por exemplo, enquanto em Monção (vale do Minho) um
consumidor doméstico paga 0,20 euros por cada metro cúbico (m3) de água se
integrar o escalão mínimo (zero a cinco m3) e 0,70 euros se o volume de
consumo de água atingir o escalão máximo (mais de 20 m3), em Viana do
Castelo (vale do Lima) um habitante na mesma situação paga,
respectivamente, 0,40 euros e 1,30 euros (mais 25 m3). A tabela instituída
no concelho de Valença determina que o m3 de água de uso doméstico seja
cobrado à razão de 0,20 euros para o escalão mínimo (zero a seis m3) e
0,60 euros para o máximo (mais de 20 m3), enquanto que, em Ponte de Lima,
a mesma indica 0,31 euros para os consumos até seis m3 e 1,29 euros para
os superiores a 25 m3.
Quanto à tarifa fixa, relativa ao aluguer de contadores, que consta na
factura que todos os meses chega a casa dos consumidores, a tabela de
preços também varia de município para município, embora aqui as
disparidades não sejam tão evidentes. De entre os quatro concelhos
consultados, Viana do Castelo surge no topo dos que cobram valores mais
elevados, dois euros por um contador com um calibre de 15 mm (mínimo) e 45
euros por um de 200 mm (máximo), seguido de Monção, onde os valores
cobrados atingem 1,5 euros pelo aluguer de um contador pequeno (13 mm) e
9,98 euros por um de dimensão máxima (50 mm). Valença aparece a seguir com
uma taxa única de 1,25 euros para o aluguer de contadores e, em Ponte de
Lima, o valor estabelecido para o mínimo (15 mm) é de 1,29 euros e, para o
máximo (150 mm), é de 30,7 euros. Até ao momento, o município de Viana do
Castelo é dos poucos que, na região Minho/Lima, incluem taxas de
saneamento e resíduos sólidos urbanos nas facturas da água.
"Há municípios que estão a subsidiar a água de uma forma irrealista"
O presidente do conselho de administração da empresa Águas do Minho e Lima
(AML), que, em 2007, deverá assumir a concessão do abastecimento em alta
no Minho-Lima através de três sistemas a construir até lá, considera que
os tarifários praticados actualmente na região são "irrealistas". Carlos
Póvoa entende que alguns municípios terão de rever a sua política, sob
pena de virem a pagar a factura posteriormente, quando a AML entrar no
mercado. Os mesmos que agora "estão a subsidiar a água de forma
irrealista", assumindo os custos da produção e do fornecimento de água
pública através dos seus próprios orçamentos e dos impostos municipais,
"vão sentir um maior impacte e ter aumentos significativos quando
entrarmos a vender água", afirmou. Póvoa garante, ainda assim, que a
entrega da exploração da rede em alta à AML "não vai trazer aumento do
custo da água" para os consumidores, se bem que a lógica da empresa vai
"obrigar as câmaras a reflectir sobre os seus custos". E acrescentou haver
já "um número importante de municípios na região que está a caminhar para
a actualização dos tarifários", mas existe ainda um grupo grande que está
longe disso. Actualmente, a AML fornece já - através de uma parceria com a
empresa Águas do Cávado, que a abastece - cerca de 15 por cento da água
que é consumida no concelho de Viana do Castelo. A rede pública de
abastecimento de água no Minho-Lima atinge, hoje, uma cobertura de cerca
de 80 por cento. A.P.F.
[anterior] |