Público - 27 de Fevereiro

Sintra Aprova Criação de Tarifa Familiar para Consumo de Água
Por SUSANA QUARESMA

Socialistas acusam coligação PSD/CDS-PP de "rever em baixa" promessas eleitorais

A Assembleia Municipal de Sintra aprovou anteontem à noite a criação de uma tarifa familiar para o consumo doméstico de água, que permitirá às famílias com mais de quatro elementos beneficiarem de reduções no custo da factura. A proposta apresentada pela Coligação PSD/CDS-PP motivou uma acesa troca de argumentos entre os deputados da Mais Sintra e os socialistas, com os últimos a acusar a maioria de rever "em baixa" as promessas eleitorais.

"Na campanha eleitoral, o que ficou nos ouvidos dos sintrenses é que a coligação Mais Sintra se comprometia a baixar em 20 por cento o tarifário da água para todas as famílias. Só depois das eleições se falou na questão das famílias numerosas. E não temos dúvidas de que uma promessa destas teve um efeito muito importante nas eleições", acusou o líder da bancada socialista Acácio Barreiros, referindo que a "média das famílias em Sintra não ultrapassa as 2,7 pessoas". O deputado sugeriu mesmo à vereadora da CDU Guadalupe Gonçalves, ex-porta-voz da Comissão de Utentes do IC19, a criação de "uma comissão dos utentes da água para reclamar os 20 por cento de redução".

"O que prometemos e vamos cumprir é que vamos reduzir a tarifa da água em 20 por cento para as famílias de Sintra. Mas, para já, vamos começar pelas famílias mais numerosas, pois é nesses casos que se regista a maior injustiça", respondeu Ribeiro e Castro, da coligação Mais Sintra, sublinhando ser "socialmente injusto que o metro cúbico de água seja mais caro para uma família numerosa do que para um indivíduo que viva sozinho".

A recomendação, aprovada por maioria com a abstenção do Partido Socialista, sugere a criação de uma tarifa familiar que permita às famílias com mais de quatro membros, que assim o requeiram junto dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, beneficiarem de uma redução, estimada entre 20 a 50 por cento, no custo da água. Segundo a proposta, a introdução do novo regime deverá ser feita "de forma gradual" e "com prudência", devendo iniciar-se "desde já" e até ao final do ano um período experimental. "Este período experimental deverá atingir cerca de 15 por cento da população, o que corresponde a cerca de 50 mil utentes", referiu Ribeiro e Castro.

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