Público - 21 de Fevereiro

Pais Estão Contra Exames Nacionais no 9º Ano

Por ANDREIA SANCHES

PSD diz que as provas não seriam aplicadas a quem quisesse seguir cursos tecnológicos

No seu programa de Governo, o PSD defende a introdução de exames nacionais no 9º ano do ensino básico, o último da escolaridade obrigatória. A promessa é que esses exames sejam condição de acesso ao 10º ano, mas apenas para os estudantes que queiram seguir o ensino secundário geral, explicou o ministro-sombra da Educação, David Justino. Já os jovens que optassem por ingressar na via tecnológica (que tem em vista a inserção no mercado de

trabalho) ficariam dispensados desta prova. A ideia não agrada ao presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Vítor Sarmento. Que considera "um erro político grave" achar que vai ser a introdução de mais exames no sistema que vai resolver o problema do insucesso.

Se é certo que concorda que o sistema de ensino "se tornou facilitista" também é verdade, segundo Sarmento, que "são necessárias outras medidas, que tenham em conta outros factores". Um comentário que Sarmento dirige também à proposta do CDS-PP. Os populares querem a realização de exames nacionais no 4º, 6º e 9º anos - actualmente este tipo de provas só existe no 12º ano. "Nos últimos 15 anos tivemos oito ministros da Educação. Quem é que resiste a uma situação destas quando cada um deles quis fazer da escola um laboratório?", interroga-se Sarmento, acrescentando que é neste ponto que reside um dos problemas da educação.

Para PSD a introdução de exames no 9º ano seria uma maneira de aumentar a fasquia de exigência nas escolas portuguesas, mas também de diminuir os elevados níveis de insucesso no 10º ano - que se devem sobretudo "à falta de hábitos de trabalho" dos alunos, segundo David Justino. Já o presidente da Confederação das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário, Pedro Gomes, garante que este tipo de propostas só servirão para "deixar mais alunos pelo caminho".

Actualmente, no 9º ano já existem provas globais, e este ano estreiam-se as provas aferidas (testes que não chumbam mas que servem para saber se os alunos estão a cumprir os objectivos essenciais). Justino reconhece que caso o PSD vença as eleições as provas globais poderão ter de ser repensadas. "Seria uma loucura" manter os três tipos de avaliação no mesmo ano, diz. De resto, conclui Justino, é preciso aumentar o número de alunos que frequentam cursos tecnológicos no secundário. A isenção de exame para os alunos que fizessem esta opção poderia ser um incentivo.

[anterior]