"Cheque-educação"
e "Escola-alvará" para Dar Liberdade de Escolha às Famílias
Por CATARINA GOMES
Propostas da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas divulgadas
ontem em Lisboa
A criação de "cheques-educação" e de "escolas-alvará" foram duas das
propostas ontem avançadas no seminário "Apostar na Família - Construir o
Futuro", organizado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
(APFN), em Lisboa, que defende a liberdade de escolha dos pais na educação
dos filhos. No caderno de propostas da APFN lê-se que o "cheque educação"
é a forma de garantir que os pais podem escolher. Trata-se de atribuir um
valor por cada filho (149 euros é um valor considerado adequado) que
permita aos pais escolher se colocam o filho numa escola pública ou
particular.
Fernando Ribeiro Castro, presidente da associação, afirma que quando a
Constituição diz que incumbe ao Estado "cooperar com os pais na educação
dos filhos", isso não significa "impingir-lhe" a escola pública da área da
residência. Com a possibilidade de escolha, e consequente aumento da
concorrência, haverá um acréscimo de qualidade do sistema, diz. A APFN é
uma associação apartidária e aconfessional que aceita como membros casais,
desde que sejam casados, com três ou mais filhos.
O militante do Partido Social Democrata (PSD) António Pinto Leite, o
orador do painel "Família, Educação e Ensino", defendeu também a proposta
do "cheque-educação". O programa do PSD não refere os também designados "cheques-ensino",
mas defende "que é preciso promover a liberdade de escolha, a capacidade
competitiva entre estabelecimentos e a qualidade de ensino".
Avaliação interna
Pinto Leite acrescentou outras medidas para criar "um mercado da
educação", nomeadamente a criação de "escolas-alvará", uma experiência
testada nos Estados Unidos. Neste caso, um conjunto de professores pode
candidatar-se a abrir uma escola, a quem o Ministério da Educação paga um
valor por cada aluno que a frequenta. No final de cada ano é avaliada; se
cumprir os objectivos, o alvará é renovado, senão é suspensa.
Ao mesmo tempo, preconizou a abertura à gestão privada de escolas
públicas por grupos empresariais. Mas acredita que a poder de autorização
deve caber às câmaras e não ao Ministério da Educação, uma forma de tornar
a reforma mais "silenciosa" e "menos contestada" do que se fosse o poder
central a fazê-lo. Pinto Leite foi mais longe e sugeriu mesmo a
privatização de instituições de ensino públicas.
Por último, defendeu ser essencial a avaliação interna (por exemplo,
dos professores pelos alunos) e externa das instituições, "com
consequências", em termos "de prémios, encerramento de escolas e
destituição de professores".
No caderno de propostas que a APFN elaborou para o período
pré-eleitoral, e que foi distribuído no encontro, defende-se, na área do
trabalho, a adequação da licença para assistência ao agregado familiar de
acordo com o número de dependentes, o reconhecimento do valor económico do
trabalho doméstico, com a adopção de medidas que permitam a continuidade
da contribuição para a Segurança Social; na saúde, a adequação das taxas
moderadoras ao rendimento "per capita" e, no campo fiscal, a adopção do
princípio geral de taxa de acordo com o critério do rendimento "per
capita".