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Público - 16 de Fevereiro O
Manifesto para a Educação
O Manifesto para a Educação da República é o reflexo da consciencialização
geral da falta de qualidade e de produtividade do nosso ensino. De que o
ensino não ensina, nem educa, já ninguém tem dúvidas. Muitas das nossas
escolas já se assemelham a algumas prisões: os alunos saem de lá piores do
que quando para lá entraram.
Mas uma coisa é a consciencialização do problema, outra é a vontade de o
resolver. E isso ninguém quer, designadamente os subscritores do referido
manifesto. Os pais porque querem uma escola que lhes ocupe os filhos de
manhã à noite. Os professores uma escola que os empregue. E os alunos uma
escola que os passe.
Todos concordam que é necessário aumentar o grau de exigência para que a
qualidade do ensino melhore. Mas isso é incompatível com o professor
"ama-seca", com a avaliação contínua, com uma carga lectiva elevada e com
o grande número de disciplinas por aluno.
Tal como no treino físico, se se quer aumentar a intensidade do treino,
tem-se forçosamente de diminuir o volume. Não é por acaso que, há 30 anos,
quando se exigia muito dos alunos, um aluno de Letras do Complementar
(hoje, Secundário) tinha 20 horas de aulas semanais e o de Ciências 25,
todos os alunos tinham um máximo de 6 disciplinas e as aulas começavam a 6
de Outubro e terminavam a 9 de Junho, com interrupções no Natal, na Páscoa
e no Carnaval. Além disso, um professor culto, competente e exigente, ou
seja, um bom professor, nunca será uma boa "ama-seca". Até porque nunca se
prestará a isso. E, por fim, confiar cegamente na avaliação contínua é
premiar a fraude, a corrupção e mediocridade, quer de alunos, quer de
professores.
"Aqui é que a porca torce o rabo". Uma coisa é assinar um manifesto, outra
coisa é estar disponível para a resolução do problema. Pois é, se a gente
pudesse "ter chuva na horta e sol à porta"... Só que isso, como todos
sabemos, é impossível. Ora, estarão os pais disponíveis para ver a carga
horária dos seus filhos reduzida, assim como o tempo que passam na escola?
Estarão os professores disponíveis para ver eliminadas uma série de
disciplinas parasitas que só se justificam para lhes garantir os empregos?
Estarão os alunos disponíveis para enfrentar exames nacionais no fim de
cada ciclo, com as consequentes reprovações e reencaminhamento para cursos
técnico-profissionais?
É evidente que não. Então, por favor, deixem-se mas é estar quietos e não
estraguem isto mais do que já está.
Santana Maia-Leonardo, Ponte de Sor
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