Público - 12 de Fevereiro

Depoimentos

EDUARDO LOURENÇO, Ensaísta

"Há uma crise da educação que é geral na Europa, não é só em Portugal. O grande problema é sobretudo o da dificuldade de assegurar o próprio ensino, dado que os educadores hoje têm problemas de indisciplina que não tinham."

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES, Ambientalista, professor da Universidade de Lisboa

"Para que o país possa ocupar o lugar que todos desejamos no interior da União Europeia e na comunidade internacional, todos reconhecemos que há condições de possibilidade que têm de ser preenchidas. A mais importante de todas prende-se com a educação dos cidadãos. A educação deve ser entendida como a base, o fundamento de uma participação dos cidadãos numa sociedade capaz de enfrentar os novos desafios.

Estamos a passar por uma nova metamorfose da educação, análoga à que ocorreu na passagem do século XVIII para o XIX, em que os principais desafios já não passam exclusivamente por aprender a ler, a escrever e a contar, mas também e sobretudo por compreender os novos desafios da crise do ambiente, por dominar as novas tecnologias da informação e por saber contribuir para a reconstrução do Estado, da cidadania e da própria ordem internacional"

VIRGÍLIO FOLHADELA, ex-presidente da Associação Comercial do Porto

"Há uma falta de coerência global na politíca educativa. Os maus resultados escolares são o efeito do panorama que se vive. Acho que não se tem tido consciência das implicações futuras de educação deficiente. A situação da educação merece uma tomada de consciência de todos, para ser alterada. Foi por isso que assinei o manifesto."

LINHARES FURTADO, professor catedrático de cirurgia da Faculdade de Medicina e director do serviço de Urologia e Transplantes dos Hospitais Universitários de Coimbra

"Assinei, porque concordo. Assinei-o já há bastante tempo, não me recordo de tudo o que estava escrito. Só se agora o tivesse aqui à minha frente..."

RUI MOTA CARDOSO, psiquiatra e divulgador científico do IPATIMUP

"Em primeiro lugar, assinei porque havia muito que pensar e repensar sobre o ensino e, com um interesse especial no meu caso, sobre o ensino universitário. Em segundo lugar, porque julgo que há alturas em que não nos devemos calar. E repare que quando assinei o manifesto não existia o momento político que se atravessa agora. Considero que estes são problemas transversais, de cidadania, não se trata apenas de questões políticas."

ANA BELA CRUZEIRO

Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática

"Ainda que de uma maneira um pouco vaga, o manifesto reflecte uma preocupação que temos - e é partilhada por várias pessoas - com o nível da educação. Pessoalmente, tenho constatado o problema mais na área da Matemática, mas penso que ele é muito mais geral. No caso da Matemática, põe em causa o nosso futuro, em termos do desenvolvimento tecnológico."

Depoimentos recolhidos por Ana Cristina Pereira, Andrea Cunha Freitas e Bárbara Simões 

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