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Diário de Notícias - 2 de Fevereiro
Indisciplina: professores com mais poder
MARIA JOSÉ MARGARIDO
O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, com apenas duas abstenções
e os votos favoráreis dos restantes elementos, o parecer que reforça a
autoridade dos professores e lhes concede direitos especiais em caso de
agressão por parte de alunos ou pais.
A única diferença em relação à primeira versão é que o CNE deixa ao
critério do legislador (o Estado) a hipótese de equiparar os docentes às
autoridades - o que implica que a agressão a um professor no exercício das
suas funções deve ser considerada um crime público, não dependendo da
queixa do ofendido - ou de criar um novo mecanismo jurídico, que dê aos
educadores prerrogativas especiais. Em qualquer dos casos, os docentes
saiem vitoriosos. Os pais, que se opunham frontalmente à medida e a
qualificavam de "tentativa de autoritarismo", sofrem uma pesada derrota.
Reforçado sai também o "poder punitivo" dos professores, que deve ser
"mais efectivo" - o que abre caminho para uma revisão do actual regime
disciplinar dos alunos, de forma a permitir castigos mais eficientes e
imediatos. A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) já
referiu que esta é uma medida que convida à arbitrariedade dos professores
na suspensão ou expulsão dos alunos, sem qualquer mediação. Foi ainda
criado, no âmbito do CNE, um grupo de acompanhamento da problemática da
disciplina nas escolas.
O CNE aprovou também um parecer sobre a Declaração de Bolonha (que
estabelece os princípios para uma harmonização dos graus de ensino
superior na Europa), no qual sublinha que a implantação de formações mais
curtas nas universidades e politécnicos não pode implicar uma "desresponsabilização"
do Estado no que respeita ao financiamento do superior. Além disso, o
conselho - constituído por representantes de pais, professores, alunos,
autarquias e partidos políticos - refere que "é altamente duvidoso" que
Portugal e os docentes estejam preparados para a mudança.
O Conselho Nacional de Educação legitimou ainda outro documento sobre os
objectivos futuros dos sistemas de educação e formação no âmbito da União
Europeia, no qual recomenda a intensificação dos mecanismos de informação
sobre o assunto.
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