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Diário de Notícias - 16 de Fevereiro
Portas "ressuscita" exames nacionais
GRAÇA HENRIQUES
Rigor, exigência e racionalidadevão ser as palavras de ordem do Programa
de Governo do CDS para a Educação. O partido de Paulo Portas apresenta
hoje na Convenção Programática "medidas emblemáticas" que passam,
nomeadamente, pela implementação de um sistema de avaliação de professores
e alunos e também pela adopção de um único manual escolar por disciplina.
O CDS quer repor a realização de exames nacionais no 4.º, 6.º e 9.º anos
de escolaridade, acabando com as actuais provas de aferição. Que, sendo
anónimas, servem apenas para avaliar o sistema e não o aluno. O que o CDS
pretende é diferente: quem não obtiver nota positiva nos exames nacionais,
pura e simplesmente reprova o ano.
Também os professores deverão passar a ser avaliados, através de um método
anual, em que pais, alunos e os seus pares docentes sejam chamados a
fiscalizar o seu desempenho.
Com vista a "acabar com o desperdício" e à sobrecarga das famílias que
todos anos gastam dezenas de contos em livros, o CDS quer que o País
adopte um manual único por disciplina. Realizando-se um concurso público,
que será revisto de quatro em quatro anos e permita a actualização dos
manuais. Esta medida, sustentam os democratas-cristãos, permitirá que os
manuais transitem, por exemplo, de irmãos para irmãos.
Uma proposta que não agradará, certamente, a editores e livreiros, mas que
tem um argumento do CDS: "Gerir o Estado significa exigência e rigor."
O programa para a Educação, que será apresentado por Pedro Brandão
Rodrigues, propõe ainda que o Estado subsidie a compra de manuais pelas
escolas, para que depois estas os possam emprestar aos estudantes.
Brandão Rodrigues irá ainda dizer que os democratas-cristãos são
favoráveis ao alargamento da escolaridade obrigatória de nove para doze
anos.
O líder do CDS é que ontem veio insistir na necessidade dos portugueses
votarem no seu partido, como forma de retirar a maioria à esquerda e de se
obter uma maioria de centro-direita. Portas sublinhou que o lema da sua
campanha será apresentar o CDS como "o braço direito que faz falta a
Portugal". Mas que deve ser entendido como o braço direito dos portugueses
e não do PSD. Não falou em acordos pós-eleitorais, mas também não deixou
de afirmar que os portugueses querem "um Governo estável, mas que não
abuse e seja arrogante". Por isso, acrescentou, é preciso "quem fiscalize,
quem modere e controle". Uma tarefa para a direita que ele próprio
representa.
Portas vai insistir no slogan "O voto no CDS vale ouro", por forma a pôr
termo à ideologia nacional instalada: a existência apenas de esquerda e
centro, que "deixa o País desequilibrado". A aposta é, pois, remar contra
o voto útil. E, durante a campanha, Portas não se cansará de repetir que a
única maneira de impedir uma maioria de esquerda será o CDS ficar à frente
do PCP.
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