Parlamento Europeu
- 06 Dez 07
Défice demográfico na UE: quem
tem medo das crianças?
Como alterar a tendência demográfica
na UE?
A falta de comida e a mortalidade
infantil influenciaram, desde sempre, a população
mundial. A melhoria da situação económica da
sociedade europeia e os avanços da medicina moderna
acabaram com estas ameaças, mas apesar de existirem
condições aparentemente ideais para o crescimento
populacional e de os europeus afirmarem quererem ter
mais filhos, as taxas de natalidade continuam a
diminuir. A UE está a tentar encontrar as melhores
soluções para lidar com este problema.
A diminuição das taxas de natalidade na União
Europeia será um verdadeiro problema no futuro, se a
tendência não se inverter. De acordo com os
demógrafos, a taxa de fertilidade necessária para a
substituição das gerações corresponde a uma média de
2,1 filhos por mulher.
Em 2005, a média da UE a 25 situava-se em 1,5
filhos, com França a liderar pela positiva (1,9) e a
Eslováquia a registar os valores mais baixos (1,25).
Se a taxa de fertilidade diminuir para 1,3 filhos
por mulher, dentro de 100 anos a população diminuirá
para menos de um quarto dos valores actuais.
Ter ou não ter filhos
Entre os motivos que explicam a diminuição das taxas
de natalidade na União Europeia encontra-se o facto
de as mulheres terem uma maior necessidade de
conciliar a sua vida profissional com a maternidade
e começarem a ter filhos mais tarde. Por outro lado,
a contracepção, as alterações dos estilos de vida, a
incerteza do futuro e os novos padrões
comportamentais também contribuem para a diminuição
dos nascimentos.
De acordo com um estudo realizado
pela Fundação Robert Bosch em 2004, financiado pela
Comissão Europeia, as mulheres gostariam de ter mais
filhos mas os custos financeiros e a incerteza
sentida em relação ao seu futuro são motivos
invocados muitas vezes para que esse desejo não se
concretize.
O Parlamento Europeu e a política demográfica
europeia
Apesar de não ter uma política demográfica, a União
Europeia tem vindo a desenvolver uma série de
iniciativas relacionadas com os factores que
influenciam o crescimento demográfico.
Em Junho de 2007 o Parlamento
Europeu adoptou um relatório sobre um quadro
regulamentar relativo a medidas de conciliação da
vida familiar e dos estudos das mulheres jovens na
União Europeia.
Neste relatório, a eurodeputada
grega Marie-Panayotopoulos-Cassiotou (Grupo do
Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus),
sublinha a necessidade de adoptar políticas públicas
que proporcionem maior apoio aos jovens, para que
estes possam concretizar paralelamente os seus
projectos educativos e familiares, sem terem
necessariamente de dar prioridade a um desses
projectos em detrimento do outro.
A Comissão parlamentar do Emprego e
dos Assuntos Sociais elabora actualmente um projecto
de relatório sobre o futuro demográfico da Europa. A
relatora, a eurodeputada francesa Françoise Castex
(Grupo Socialista), considera que as medidas de
incentivo à natalidade fazem parte de uma estratégia
global de transformar o desafio demográfico numa
oportunidade demográfica. Castex propõe a adopção de
uma série de políticas públicas adequadas, que
garantam a estabilidade necessária ao exercício da
maternidade.
Para que daqui a 100 anos a
população europeia não esteja reduzida a menos de um
quarto dos valores actuais!