Correio da Manhã
- 05 Dez 07
Alunos portugueses na cauda da
Europa
Edgar Nascimento
Os alunos portugueses de 15 anos
estão abaixo da média entre 57 países a Ciências,
Matemática e Leitura. Ainda assim, registaram-se
algumas melhorias.
Os alunos portugueses de 15 anos têm
resultados abaixo da média em Ciências, Leitura e
Matemática, quando comparados com os colegas de mais
56 países.
O estudo PISA 2006, realizado pela
OCDE e que avaliou os conhecimentos e competências
de 400 mil alunos (5109 portugueses) de 57 países
(30 da OCDE mais 27 desenvolvidos ou em vias de
desenvolvimento), coloca Portugal num pouco honroso
37.º lugar, “significativamente abaixo da média”, no
que respeita às competências em Ciências. Mas em
Leitura e Matemática os resultados também ficam
aquém da média.
Os alunos portugueses ‘conseguiram’
474 pontos a Ciências – a média OCDE é 500 e a
global, 491. Apesar do resultado pobre, sempre é
melhor do que nos anteriores estudos: 459 em 2000 e
468 em 2003. Curioso é verificar que 38,8 por cento
dos alunos portugueses pretende seguir carreira
científica, o valor mais elevado na OCDE.
Em Matemática, os estudantes
portugueses obtiveram 466 pontos, menos 32 do que a
média da OCDE e igual aos valores de 2003. Já em
Leitura, 472 pontos, vinte abaixo da OCDE. Em
comparação com os outros dois estudos PISA, houve
melhoria em relação a 2000 mas não em comparação com
2003.
O impacto da origem sócio-económica
dos alunos e da posse de bens culturais em casa no
desempenho escolar é maior em Portugal do que na
média da OCDE. A diferença entre os resultados dos
alunos de meios mais favorecidos e os mais pobres
atinge uma média de 93 pontos em Portugal (92 na
OCDE). Os estudantes que têm acesso a mais bens
culturais têm, em média, mais 71 pontos do que os de
menos posses (64 na média da OCDE).
A ‘culpa’ dos resultados do PISA
2006 é da taxa de retenção. Essa é a visão do
secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge
Pedreira, que considera “não haver ainda a percepção
dos professores que a retenção é apenas a última
solução, não é eficaz na recuperação dos jovens”. No
estudo participaram alunos portugueses, dos 7.º ao
11.º anos de escolaridade, de 172 escolas. Em
Ciências, os alunos do 10.º obtiveram 528 pontos e
os do 7.º ficaram-se pelos 352. Resultados “aquém do
desejável”. Já o presidente da Sociedade Portuguesa
de Matemática, Nuno Crato, defendeu “alterações
profundas” nos currículos.
PISA 2006
ACIMA DA MÉDIA
1-Finlândia: 563
2-Hong Kong: 542
3-Canadá: 534
4-Taipé: 532
5-Estónia: 531
6-Japão: 531
7-Nova Zelândia: 530
8-Austrália: 527
9-Holanda: 525
10-Liechestein: 522
11-Coreia do Sul: 522
12-Eslovénia: 519
13-Alemanha: 516
14-Reino Unido: 515
15-Rep. Checa: 513
16-Suíça: 512
17-Macau: 511
18-Áustria: 511
19-Bélgica: 510
20-Irlanda: 508
DENTRO DA MÉDIA
21-Hungria: 504
22-Suécia: 503
23-Polónia: 498
24-Dinamarca: 496
25-França: 495
ABAIXO DA MÉDIA
26-Croácia : 493
27-Islândia: 491
28-Letónia: 490
29-EUA: 489
30-Eslováquia: 488
31-Espanha: 488
32-Lituânia : 488
33-Noruega: 487
34-Luxemburgo: 486
35-Rússia: 479
36-Itália: 475
37-PORTUGAL: 474
38-Grécia: 473
39-Israel: 454
40-Chile: 438
41-Sérvia: 436
42-Bulgária: 434
43-Uruguai: 428
44-Turquia: 424
45-Jordânia: 422
46-Tailândia: 421
47-Roménia: 418
48-Montenegro: 412
49-México: 410
50-Indonésia: 393
51-Argentina: 391
52-Brasil: 390
53-Colômbia: 388
54-Tunísia: 386
55-Azerbaijão: 382
56-Qatar: 349
57-Quirguizistão: 322
Fonte: OCDE
- O PISA 2006 foca a competência dos
alunos de 15 anos a Ciências. A tabela vai de 0 a
1000, mas os dados são trabalhados de modo a que a
média da OCDE seja 500 e dois terços dos países se
situem entre 400 e 600 pontos.
ALGUNS DADOS DO PISA 2006
- 0,1 por cento dos alunos
portugueses atingiu o nível mais elevado em Ciências
- 352 pontos obtidos pelos estudantes portugueses
que estudam no 7.º ano, em Ciências
- 466 pontos em Matemática, 32 abaixo da média da
OCDE e igual à pontuação de 2003
- 472 pontos em Leitura, vinte abaixo da média da
OCDE e menos cinco do que em 2003
- 93,8 por cento dos pais considera que os
professores são competentes, a mais alta taxa em dez
países da OCDE