Diário do Minho - 27
Dez 05
D. Jorge Ortiga apela à salvaguarda do matrimónio, família e vida
O Arcebispo de Braga convidou as
famílias cristãs a «promover a salvaguarda do matrimónio, da família e da vida»,
encarando-a como uma «missão sócio-política importantíssima». O convite foi
feito domingo, na Sé de Braga, durante a celebração da Missa de Natal. «Hoje
mais do que nunca », alertou o Arcebispo de Braga e presidente da Conferência
Episcopal Portuguesa, «é imperioso a defesa das famílias baseadas no matrimónio
e um apoio e valorização da missão educativa dentro da família para chegar a um
comportamento activo na protecção da vida desde o início até à morte natural».
«Os cristãos terão de se empenhar neste sentido. Sem este exercício de
cidadania, continuaremos a caminhar para índices alarmantes de decadência
familiar », afirmou também D. Jorge Ortiga. Esta decadência, segundo o Arcebispo
de Braga, reflecte-se na «diminuição de casamentos, religiosos e civis »; no
«aumento das convivências em uniões de facto, muitas vezes de tipo homossexual»;
na «alta percentagem de divórcios»; no «número reduzido de filhos» e no «aumento
impressionante » de abortos. Consequência da «sociedade do bem-estar e da
diversão», baseada «num materialismo prático de tipo hedonístico» e com adesão
porque recorre a «meios sofisticados de publicidade». «Só que, por outro lado —
continuou D. Jorge Ortiga —, sei que começa a ser intensa a procura da
espiritualidade e o desejo dum amor conseguido. Alguns jovens assumem, com
seriedade, o compromisso de constituir família cristã, pois descobriram Deus e
disponibilizam- se para um “sim” a uma relação inseparável e duradoura dum
matrimónio celebrado diante de Deus. Os filhos são vistos como um verdadeiro dom
e presenciamos a alegria das famílias numerosas», disse também o Arcebispo
Primaz.
Trabalha-se «desnecessariamente » ao Domingo
Presidindo à Missa do Dia de Natal, D. Jorge Ortiga recordou que o nascimento de
Jesus, marcado pela pobreza, aconteceu em ambiente familiar. Algo que começa a
não haver actualmente, porque o Domingo deixou de ser o Dia da Família. «A
Família necessita de tempo exclusivamente para si. O ritmo semanal do trabalho
dos pais e a sobrecarga escolar e extra-escolar dos filhos, não permitem espaços
para a intimidade, para um lar onde se conversa, joga, partilha preocupações »,
constatou domingo o Arcebispo Primaz. Mas — reconheceu —, «como consequência dum
ritmo alucinante, deparamos com um crescente espaço de depressão a que nem
sempre as estatísticas concedem a verdade dos números». «Há gente que trabalha
[ao Domingo] desnecessariamente, existem dinamismos comerciais que distraem mas
não promovem a comunhão familiar», disse ainda D. Jorge Ortiga, que considera
que está na hora de «exigir uma nova regulamentação do trabalho ao Domingo» e de
as comunidades cristãs educarem para «a alegria de estar juntos, aproveitar a
natureza, efectuar jogos de diversão». Para a Igreja, segundo o Arcebispo de
Braga, também constitui «um particular desafio» os problemas e os sofrimentos de
muitas famílias. «Não ignoramos os dramas de muitos lares. Como Igreja e
particularmente através de casais cristãos — propôs D. Jorge Ortiga —, teremos
de entrar nas “casas” onde reina o sofrimento e, com serenidade e competência,
encontrar respostas adequadas». Na sua homilia de Natal, o Arcebispo de Braga
considerou ainda que «a família deve evangelizar-se e tornar-se o ponto de
partida para a evangelização da sociedade hodierna». «Se os pais procurassem
conhecer o que se passa com os seus filhos [na escola], sentiriam um apelo a um
compromisso maior. Só a família pode tornar-se a verdadeira e autêntica escola
de vida, de amor e de fé. Urge — disse também D. Jorge Ortiga na Missa de Natal
— que as famílias tomem a sério a tarefa que lhes compete ». Porque,
acrescentou, «não é com a sua demissão que poderemos esperar um futuro de
esperança». Nem permitindo que «um número reduzido» de pessoas imponha as suas
ideias a toda a sociedade, como aconteceu recentemente com a proposta de
retirada dos crucifixos das escolas.
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