Diário de Notícias - 06
Dez 05
Ensino da
Matemática é mecanizado
Elsa
Costa e
Silva
Dificuldades na
aprendizagem surgem porque alunos não são levados a pensar
Estudo. Avaliação do
ensino da disciplina envolveu 148 escolas
O ensino da Matemática em Portugal é
excessivamente "mecanizado" e não leva os alunos a pensar.
Estas são duas das conclusões de um teste de diagnóstico -
realizado na área tutelada pela Direcção Regional de
Educação do Centro - sobre as dificuldades de aprendizagem
que explicam os consecutivos maus desempenhos dos alunos
portugueses na disciplina.
O Projecto Matemática Ensino, da Universidade de Aveiro,
envolveu 5778 alunos do 9.º ano e 935 do 12.º Ao todo, foram
148 as escolas que participaram neste teste de diagnóstico,
que teve a vantagem de ser realizado por via informática.
"Este é um novo instrumento para avaliar de forma fácil,
barata e acessível, que é possível replicar pelo país todo",
explica António Batel, coordenador do projecto.
Por outro lado, o investigador salienta que este estudo
"provou o que, de uma forma empírica, se procurava saber há
já algum tempo onde estão as principais dificuldades dos
alunos". E para António Batel, o problema reside numa
excessiva mecanização do ensino: "Não se leva os alunos a
pensar e falta promover a ligação a outras áreas." Ou seja,
não se explica "para que serve a Matemática" e a disciplina
adquire assim um carácter abstracto que repele o interesse
da maioria dos alunos. A área da geometria foi a que
demonstrou, particularmente, a dificuldade dos estudantes em
pensar.
Este projecto - que tem ainda por objectivo criar um
observatório permanente - mostrou, para o 9.º ano, que
existe uma grande variação de resultados, nomeadamente nas
áreas de "números e cálculo" e "geometria". No ano que
antecede a entrada no ensino superior, este teste de
diagnóstico mostrou que, apesar de não haver nenhum
objectivo com resultados negativos, 50% dos pontos
principais estão muito próximos do limiar que lhes permite
atingir a nota positiva. Os resultados foram ainda
apresentados por distritos, o que permite analisar as
disparidades regionais.
Os testes, realizados em Outubro - ou seja, no início do ano
lectivo -, levaram os investigadores a optar por um teste
com nível de dificuldade baixo. Por outro lado, os alunos
não foram submetidos a qualquer tipo de preparação prévia.
Dados os resultados positivos desta experiência, os
investigadores esperam poder alargar o projecto a nível
nacional e repetir o teste de diagnóstico no final do
segundo período, como uma vertente vocacionada para a
resolução de problemas.
Se voltar a ser repetida, a aplicação da prova deverá ainda
permitir uma análise mais fina das dificuldades dos alunos,
de forma a intervir junto de professores e escolas na busca
de uma solução para melhorar os desempenhos a Matemática.
Para isso, o projecto vai ainda procurar comparar os seus
resultados com as notas dos exames nacionais (que se
realizam também no 9.º e 12.º anos).