| Público - 7 Dez 04
Apenas
México e Turquia com Desempenhos Piores a Ciência
Se o panorama
não é bom na literacia matemática, também na literacia científica as
fragilidades dos alunos portugueses de 15 anos ficaram visíveis em
mais uma edição do PISA (Programme for International Student
Assessment).
A média é
significativamente inferior à da OCDE e apenas dois países deste
espaço económico apresentaram um resultado ainda mais baixo: Turquia
e México. A Grécia e a Dinamarca são os dois Estados-membros da
União Europeia que, com níveis de desempenho semelhantes, fazem
companhia a Portugal no extremo inferior da tabela.
Tal como foi
feito para a matemática e a leitura, os exercícios a que os alunos
tiveram de responder não tinham tanto a ver com matérias
curriculares específicas, mas com a aplicação dos conhecimentos,
neste caso científicos, a situações da vida real.
E o que se
verifica é que praticamente um em cada quatro alunos portugueses não
conseguiu ir além dos 400 pontos. Ou seja, quase 25 por cento apenas
demonstrou ter conhecimentos científicos básicos, a partir dos quais
retiram algumas conclusões. Só 7,5 por cento foi além dos 600
pontos, quando a média dos países da OCDE se cifrou, neste patamar
de dificuldade, em 17,6 por cento.
No "rankings"
dos melhores desempenhos, os alunos finlandeses voltam a sobressair
(548 pontos) e quebram a hegemonia asiática. Japão, Hong Kong,
Coreia, Austrália, Macau, Nova Zelândia encontram-se nos dez
primeiros lugares (OCDE e Estados associados).
Em termos
médios, Portugal apresenta uma ligeiríssima melhoria em relação à
última edição do PISA, mas que é insuficiente, em termos
estatísticos, para se poder considerar que houve uma evolução
relevante.
Desagregando
os resultados, verifica-se que o grupo dos 25 por cento melhores
alunos portugueses que prestaram provas em 2003 teve resultados
superiores aos 25 por cento melhores de 2000. Nos outros percentis
não se registaram diferenças significativas.
Quanto à
diferença de desempenho entre sexos, o relatório da OCDE sublinha e
congratula-se com o facto de, ao contrário do que foi evidenciado
por estudos passados (em favor dos rapazes) e do que ainda acontece
na leitura (em favor das raparigas), não serem visíveis grandes
disparidades a nível da literacia científica. Em Portugal, a
diferença entre rapazes e raparigas, favorável aos primeiros, não é
muito grande mas é estatisticamente significativa.
O PISA alerta
para o facto de, num mundo onde a tecnologia está cada vez mais
presente, a literacia científica ganhar importância acrescida. E, em
muitos países, ainda subsiste um número muito significativo de
jovens sem as capacidades adequadas. I.L.
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