Cerca de 90 por cento das mulheres portuguesas
amamentam os filhos desde a nascença, mas apenas um terço o faz até
aos seis meses, revela uma investigação europeia, segundo a qual
Portugal não promove o leite materno.
Os dados constam de um estudo sobre «Promover o
Aleitamento na Europa», divulgado em Bruxelas, realizado por um
grupo de especialistas a pedido da Comissão Europeia e que faz uma
radiografia sobre a situação em 29 países, incluindo a União
Europeia, Islândia, Noruega, Suíça, Bulgária e Roménia.
As mães portuguesas estão dentro da média no que
respeita a amamentar logo após o parto, num cenário heterogéneo onde
praticamente 100 por cento das mulheres norueguesas, dinamarquesas,
letãs e suecas amamentam os filhos e apenas 38 por cento das mães
irlandesas o fazem.
A média portuguesa desce, no entanto, para os 34
por cento entre as mulheres que prosseguem a alimentação do bebé com
leite materno até aos seis meses, uma percentagem das mais baixas
entre os 29 países estudados e apenas superior à da Lituânia,
Grã-Bretanha e Bélgica.
Já entre 70 e 80 por cento das nórdicas
prosseguem o aleitamento no primeiro semestre de vida da criança.
No estudo, Portugal é apontado como um dos onze
países que não possui políticas nacionais sobre a amamentação,
incluindo incentivos para a utilização do leite materno até aos seis
meses e a divulgação das boas regras para o fazer.
Segundo as respostas enviadas aos peritos, as
autoridades portuguesas referem no entanto terem um plano nacional
sobre a amamentação, em especial para os grupos desfavorecidos como
as adolescentes, famílias pobres e imigrantes, e porem em práticas
recomendações.
Um dos incentivos para a amamentação, segundo o
estudo, é a existência de hospitais específicos para crianças, mas
Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde
exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com
maternidade.
O documento destaca ainda as vantagens
«nutritivas e imunológicas» da amamentação, afirmando mesmo que os
bebés que não foram alimentados com leite materno «têm um maior
risco de serem hospitalizados durante o primeiro ano de vida, na
sequência de graves doenças bacterianas». Isto devido às
propriedades anti-infecciosas do leite humano, que protegem contra
diversas doenças.
As crianças que não mamam, de acordo com o
documento, apresentam, ao longo da vida, uma maior percentagem de
alergias e doenças crónicas, uma vez que o leite materno tem
«profundos efeitos» no desenvolvimento do sistema imunitário.
A investigação salienta ainda as vantagens da
amamentação para a mãe, protegendo-a de certos tipos de cancro da
mama e ovários e diminuindo os riscos de osteoporose. Além disso,
perdem mais depressa o peso adquirido durante a gravidez e é mais
difícil padecerem de anemia, hipertensão e depressão pós-parto.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal
seria que, durante os primeiros seis meses de vida, a amamentação
fosse a única forma de alimento das crianças e que esta continuasse
até aos dois anos de idade, em complemento de outros alimentos.
O estudo analisa ainda a parte económica desta
opção, calculando que, com o leite materno, as famílias podem
economizar, anualmente, cerca de 600 euros em gastos de alimentação
do bebé.
Sobre os métodos de nascimento, os especialistas
constatam que, na maioria dos países, os partos ocorrem nos
hospitais, à excepção a Holanda, onde 35 por cento acontece em casa.
Na maioria dos países, são os obstetras e os
pediatras que tomam as decisões que podem influenciar a continuação
da alimentação materna.