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Diário de Notícias - 19 Dez 03
Um em cada cinco portugueses vive abaixo do limiar de pobreza
ISA ALVES
Cinquenta e cinco milhões de pessoas vivem em risco de pobreza e exclusão
social, na União Europeia. Portugal está em segundo lugar no eurobarómetro
- apenas ultrapassado pela Irlanda - com 20 por cento da população a viver
abaixo do limiar de pobreza. Porém, a evolução nos últimos anos tem sido
positiva, revelou ontem um estudo da Comissão Europeia.
A realidade portuguesa, apesar de ser uma das piores no contexto
comunitário, sofreu uma melhoria ao reduzir em três por cento a
percentagem de pessoas em risco de pobreza, entre 1995 e 2001. O objectivo
para 2005 é a redução de mais dois pontos percentuais, mas Bruxelas revela
pessimismo dada a situação económica desfavorável e o aumento do
desemprego no País.
«As perspectivas de evolução futura apontam no sentido do agravamento
potencial da pobreza em Portugal», explica ao DN a investigadora em
questões sociais, Maria Manuela Silva. E justifica o cenário negativo com
três razões principais: «o aumento do desemprego (atinge mais de 450 mil
pessoas), a contenção nos salários, sobretudo nos mais baixos, e o
envelhecimento da população associado ao baixo nível de reformas e ao
desinvestimento do Estado na saúde». Nestes casos, como explica a
ex-secretária de Estado dos Assuntos Sociais, «há categorias de pessoas
desempregadas que não conseguem vencer o limiar da pobreza».
Um outro factor recente está também a contribuir para o agravamento do
contexto económico e social do País. Manuela Silva explica-o: «Assistimos
ao aumento da pobreza e exclusão social com a imigração. As condições em
que os imigrantes se inserem na sociedade é muito precária».
As conclusões prospectivas da Comissão Europeia partem da premissa que
Portugal manterá, no futuro, as condições actuais na evolução
económico-social. Alterações neste cenário poderão estar na origem de
diferentes resultados. Por isso, Manuela Silva lança uma mensagem de
optimismo. «Estamos a lidar com probabilidades. Há sempre uma margem de
manobra e de intervenção, que é da responsabilidade dos governantes, dos
políticos e dos cidadãos». E conclui: «A pobreza diz respeito a todos
nós».
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