Público - 17 Dez 02

Escolas Superiores de Educação Preocupadas com Diminuição de Alunos
BÁRBARA WONG

Instituições querem debater soluções com o ministério

As escolas superiores de educação querem debater o seu futuro com o Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES). Com o decréscimo do número de alunos e a actual falta de saídas profissionais, os estabelecimentos de ensino estão preocupados com as medidas que possam vir a ser tomadas pelo ministro Pedro Lynce. As escolas reuniram no final da semana passada e aprovaram por unanimidade uma moção onde defendem o diálogo com a tutela.

António Manique, da direcção da Associação de Reflexão e Intervenção na Política das Escolas Superiores de Educação (ARIPESE) pede, antes de mais, que se faça um estudo prospectivo sobre as necessidades de professores nos próximos anos. O responsável lembra que quando Lynce era secretário de Estado do Ensino Superior "proibiu" a formação de docentes do 1º ciclo e, anos mais tarde, houve falta de profissionais para esse nível de ensino.

Fonte do MCES garante que não se pretende suspender ou encerrar qualquer curso sem que antes se analisem os resultados do estudo prospectivo já pedido ao Ministério da Educação.

As escolas queixam-se de serem alvo de uma "campanha" que pretende responsabilizá-las pelo excesso de professores. As associadas da ARIPESE denunciam ainda, em comunicado, "a política de favorecimento das instituições privadas", dando como exemplo o facto de o MCES ter atribuído as vagas para a formação complementar de professores e educadores primeiro às escolas privadas e, só meses depois, às públicas.

O executivo confirma que as vagas dos estabelecimentos privados foram autorizadas antes porque as do ensino público têm incidência no financiamento, pelo que tinham de ser analisadas com mais pormenor.

Finalmente, as escolas públicas lembram que têm o mérito de ter contribuído para a "modernização e inovação do sistema educativo" e recordam o apoio que deram à reorganização curricular e à realização do programa de formação para utilização da Internet no 1º ciclo. Actualmente, já oferecem formação contínua e pós-graduada, mas estão disponíveis a desenvolver outras actividades, abrindo a possibilidade de, por exemplo, trabalharem directamente com os estabelecimentos de ensino básico e secundário em áreas "altamente carenciadas" como a Língua Portuguesa, Matemática ou Ciências.
 

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