Público - 5 de Dezembro

Ministro da Educação Diz Que Os Resultados Não Surpreendem

Por ISABEL LEIRIA

Alargamento da taxa de escolarização apontado como indissociável do "modesto" desempenho português 

Todos as avaliações já feitas apontavam para as fragilidades dos alunos portugueses e, por isso, os resultados daquele que é o mais recente e mais abrangente estudo internacional não surpreenderam o ministro da Educação, Júlio Pedrosa. "Não há aqui nenhuma surpresa especial, mas a confirmação de informações que já tínhamos e que têm de ser levadas a sério", comentou Pedrosa, durante a apresentação oficial do PISA (Programme for International Student Assessment), ontem no Ministério da Educação, em Lisboa.

Reconhecendo que o desempenho médio dos alunos portugueses é, "de uma forma geral, modesto" e que "não satisfaz", Pedrosa ressalvou, no entanto, que, para além de causas relacionadas com a "forma como se trabalha", muito se deve ao "país que temos". "Este é um factor decisivo. A carga histórica, social, política, educativa é algo que temos de suportar", sublinhou.

Mas, para além de um passado de atrasos, são também constrangimentos do nosso tempo que dificultam o sucesso dos alunos. Por exemplo, o alargamento da taxa de escolarização. "Não é impunemente que se associa a atribuição do Rendimento Mínimo Garantido à frequência escolar. É isso que se deve fazer, mas temos de assumir a responsabilidade que estes meninos não têm as mesmas condições para progredir". A estas condicionantes junta-se ainda a influência dos factores exteriores à escola - o estudo comprova a importância dos mais variados indicadores sócio-económicos e culturais - no desempenho dos alunos.

E se a informação agora tornada pública sugere algumas pistas sobre as áreas que mais problemas levantam aos alunos portugueses, o ministro da Educação aproveitou a ocasião para referir uma série de medidas já em curso: do Estudo Acompanhado introduzido pela reorganização curricular do ensino básico em vigor ou a reformulação de programas do ensino secundário. Depois, continuou Pedrosa, é preciso analisar o que fez com que países que apresentavam, até há pouco tempo, resultados semelhantes aos portugueses - como a Finlândia e a Irlanda - assumam agora resultados francamente acima da média da OCDE.

De resto, nem tudo é negro no que respeita às competências demonstradas pelos estudantes de 15 anos. Uma grande percentagem de alunos portugueses que com esta idade estão no 10º ano e os que estudam na área da Direcção Regional de Educação de Lisboa obtêm resultados idênticos ou mesmo superiores à média da OCDE, exemplificou o ministro.

[anterior]