5 de Dezembro de 2000 - Eclesia

Globalização, economia e família

Reafirmar o primado da política e os princípios da justiça social no mundo da economia globalizada, e que ela respeite a opção preferencial pelos pobres: é este o convite dirigido por João Paulo II aos responsáveis pela economia mundial, através dos participantes no Congresso sobre «Globalização, Economia e Família», promovido em Roma pelo Conselho Pontifício da Família.

A Mensagem foi enviada em nome do Papa pelo Cardeal Secretário de Estado Ângelo Sodano. Entre os problemas de cuja solução depende em parte o bem-estar da família, o Papa sublinha a distribuição justa dos recursos, a luta contra o desemprego, a defesa do ambiente, a luta contra os traficantes de drogas e a regulação dos fenómenos da imigração e dos refugiados.

Detendo-se de modo particular sobre a globalização, tema central dos trabalhos do Congresso que terminou na Quarta-feira da passada semana, João Paulo II afirma, na sua Mensagem, que “a globalização permite nos dias de hoje grandes possibilidades de crescimento e produção de riqueza; no entanto, todos admitem que a globalização não assegura por si só a justa distribuição dos bens entre os cidadãos dos diferentes países.

Na realidade, a riqueza produzida mantém-se muitas vezes concentrada em poucas mãos, com a consequente perda de poder por parte dos estados nacionais, já bastante enfraquecidos nas áreas em vias de desenvolvimento, tendo de se confrontar com num sistema mundial governado por poucos centros e gerido por particulares”.

O Papa afirma ainda na Mensagem que se impõe hoje, com urgência, a necessidade de reafirmar o primado da política, no sentido originário e mais alto da expressão, e que a economia globalizada deve ser encarada à luz dos princípios da justiça social, respeitando a opção preferencial pelos pobres, que devem ser colocados em condições de poder participar nessa economia, à luz das exigências do bem comum internacional.
 

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