Público -
30 Ago
08
Manuais com o maior aumento dos últimos anos
Cada manual escolar do 1.º ciclo do ensino básico
pode este ano custar até mais 5,5 por cento do que
no ano lectivo passado. No 2.º e 3.º ciclos o
agravamento pode atingir os 4,5 por cento. Significa
isto, por exemplo, que um cabaz do 3.º ciclo que
custava 131 euros, passa a custar cerca de 137 euros,
sem contar com os manuais de Educação Física,
Educação Visual e Tecnológica e Educação Musical
que, segundo os editores, muitos não compram.
São valores acima da inflação, como há muito não se
via. Resultam das duras negociações entre editores e
livreiros há mais de um ano e então noticiadas. Mas
só agora os seus efeitos se reflectem plenamente nos
bolsos de muitas famílias. E muitos pais nem se
apercebem.
"Não dei conta que subiu", afirmaram várias mães que
o PÚBLICO encontrou esta semana a fazer compras para
preparar o regresso às aulas dos filhos. Albino
Almeida, presidente da Confederação Nacional das
Associações de Pais (Confap), está consciente do
agravamento, mas minimiza-o. Lembra que o Governo
fez publicar este mês novas regras para a acção
social escolar, que estabelecem um alargamento
histórico dos apoios para livros e material escolar.
"São 711 mil alunos do básico e secundário que ou
não vão pagar os livros, ou vão ser apoiados em
metade", diz.
Estes alunos apoiados estão em todos os níveis de
ensino, do 1.º ciclo ao secundário, segundo o
Ministério da Educação, através do seu assessor de
imprensa, Rui Nunes. Metade dos 1,4 milhões dos
alunos de escolas públicas e privadas, do 1.º ao
12.º ano, recebem assim algum apoio para livros e
material escolar. A esmagadora maioria está,
contudo, no ensino público.
Mesmo assim, a subida dos preços far-se-á sentir em
muitos orçamentos familiares. A Confap defende que
quem não é abrangido pelos apoios, "ou quem só é
comparticipado em metade, devia poder deduzir no IRS
a totalidade das despesas" com a educação.
Convenção em Março
O aumento do preço dos livros ficou definido numa
convenção assinada entre o Governo e os editores em
Março. Nela reconhece-se que o congelamento dos
preços nos últimos anos - ou o "aumento inferior à
inflação" noutros casos - provocou um "desfasamento
do aumento dos custos de produção". E que havia
"necessidade de estabelecer regras de flexibilização
do preço" (ver entrevista na página a seguir).
No ano lectivo passado, os manuais básico já
sofreram aumentos de, em média, 3,1 por cento, na
sequência do acordo entre editores e Governo. Mas
este ano é mais pesado. Os que foram reimpressos
pelas editoras para o ano lectivo que está prestes a
começar - de acordo com a nova lei, os manuais
escolares têm, por regra, uma vigência de seis anos
- vêem o seu preço aumentar até 5,5 por cento, no
1.º ciclo, 4,5 por cento, no 2.º ciclo, e 2,5 por
cento no ensino secundário, sector onde o preços dos
livros passou também a ser controlado pela
convenção.
Já no caso dos que foram objecto de nova adopção (o
que acontece este ano apenas em algumas disciplinas
do 9.º ano e do 11.º) o agravamento vai de 2,5 a 4,5
por cento. Por exemplo: este ano, os novos livros de
Físico-Química do 9.º ano não podem custar mais do
que 16,19 euros; o de Literatura Portuguesa do 11.º
ano pode chegar aos 30,64 euros.
Para o ano há mais aumentos, com valores idênticos.
A.S.
Albino Almeida diz que a Confap se vai "continuar a
bater" junto do Governo pela dedução total das
despesas no IRS