Público online - 29 Ago 07

 

Perdas do sector continuam a não ser compensadas
Editores consideram que aumento dos preços dos livros escolares é "ligeiro"

A Associação Portuguesa dos Editores e Livreiros (APEL) considera que o aumento dos preços dos manuais escolares acima da inflação, nos próximos anos, é "ligeiro" e não compensa as perdas do sector desde 2002, período em que os preços estiveram congelados.

Vasco Teixeira, coordenador da Comissão do Livro Escolar da APEL, disse hoje à Lusa que os preços dos manuais estão "praticamente congelados desde 2002", o que significou "15 por cento de perda em valor" para este sector da edição.

Neste contexto, o aumento anunciado "ficou aquém do que os editores pretendiam", já que tinham como objectivo "recuperar em quatro a cinco anos" esses 15 por cento de perda, segundo Vasco Teixeira. "Mas os editores compreendem que não era fácil o Governo aceitar essa pretensão", disse o responsável.

Governo e editores livreiros deverão assinar nos próximos dias um acordo que prevê o aumento do preço dos manuais escolares acima da inflação no próximo ano.

Os livros do ensino básico vendidos para o ano lectivo que começa em Setembro têm um aumento de 3,1 por cento relativamente aos manuais do ano anterior. A partir do próximo ano haverá aumentos de três por cento acima da inflação para o primeiro ciclo e de 1,5 por cento para os segundos e terceiro ciclos.

Segundo Vasco Teixeira, "várias empresas do ramo fecharam" nos últimos anos devido ao congelamento dos preços dos manuais, pelo que "não era possível continuar neste caminho". O responsável insistiu em que os aumentos são "ligeiros" e têm pouco impacto no preço final de cada livro.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, os aumentos serão, "no máximo, de 1,60 euros, ou seja, menos de três cafés por ano".

O responsável da APEL explicou ainda que, por causa do novo sistema de certificação dos manuais que será adoptado a partir de 2008, editar um livro escolar é agora "um processo mais complexo, mais centralizado e mais caro", o que "acabou por impor este ligeiro aumento".

O responsável considerou ainda que o novo regime de certificação dos livros "é demasiado centralizado e controlador, sem paralelo noutros países da Europa, que confiam mais nos professores e nas escolas para a escolha dos manuais". "Esse papel não deve caber à administração central e pensamos que o novo processo de certificação não vai dar muito bons resultados", afirmou.

Quanto ao alargamento do período de vigência dos manuais escolares de quatro para seis anos, Vasco Teixeira considera que "representará muito pouco em termos económicos para as famílias", porque a maioria dos casais "só tem um filho".

Por outro lado, o responsável da APEL diz ter "receio de que, em várias disciplinas, os manuais se tornem demasiado antiquados e desactualizados". Vasco Teixeira explicou que um livro escolar leva cerca de dois anos a ser produzido e terá uma vigência de mais seis, o que significa um período total de oito anos, "demasiado longo" no caso de diversas disciplinas.