Diário Digital -
29 Ago 07
APFN acusa Educação de estar ao serviço da
indústria
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN)
condenou hoje a decisão de aumentar o preço dos
manuais escolares acima do valor da inflação,
acusando o sistema educativo de «estar ao serviço da
industria educativa» e não das famílias.
Governo e editores chegaram a acordo para que no
próximo ano, o preço dos manuais escolares suba
acima do valor da inflação.
No caso dos livros do primeiro ciclo vão sofrer
aumentos equivalentes ao valor da taxa de inflação
acrescido de três por cento e nos casos do 2º e 3º
ciclo vai acrescer uma taxa de 1,5 por cento
superior à inflação.
«É um verdadeiro disparate que vai penalizar as
famílias com filhos. O sistema educativo não está ao
serviço das famílias e dos filhos mas sim da
indústria educativa», disse à agência Lusa Fernando
Ribeiro e Castro, presidente da associação.
O responsável recordou o clássico «drama» dos
portugueses quando chega o mês de Setembro, altura
em que «as famílias se vêem obrigadas a deitar
dinheiro fora» [com os manuais].
Apesar de no Verão passado ter sido promolgada uma
lei que exigia o alargamento da vigência dos manuais
escolares de quatro para seis anos, o presidente
fala em «truques» para que todos os anos as famílias
tenham de comprar mais livros, como as consecutivas
alterações curriculares dos programas.
«Os livros são caríssimos, são produtos luxuosos que
não duram nada. Têm uma qualidade péssima, basta ver
que ao fim de um ano, as lombadas começam a
romper-se», criticou, referindo-se à difícil
viabilidade de aplicar o diploma publicado em Agosto
do ano passado.
No entanto, Fernando Ribeiro e Castro sublinhou que
os mais de seis mil sócios da APFN «vão estar
atentos» para ver se vai ser cumprida a decisão
estatal de não se poder escrever nos livros, para
poderem ser reutilizados.
«Estamos na linha da frente no combate a todos os
truques», alertou o presidente da APFN, garantindo
que caso seja detectada alguma irregularidade a
associação irá denunciar a situação e «fazer
barulho» no sentido de exigir à editora a recolha do
material.
A APFM voltou a defender a realização de programas
educativos «realistas» classificando os actuais
programas de «utópicos», por «obrigarem as famílias
a comprar imensos livros e materiais, alguns dos
quais sem nunca chegarem a ser usados».
Outra das propostas da associação passa pela
autorização aos editores estrangeiros para
concorrerem com os seus manuais escolares, de forma
a permitir que os preços dos manuais possam descer.
«O Estado não tem de gastar um tostão. Tem apenas de
garantir que as famílias não são exploradas pela
indústria educativa», concluiu Fernando Ribeiro e
Castro.
Diário Digital / Lusa