Portugal Diário -
22 Abr 09
Estado «estrangula constantemente» as famílias
numerosas
Associação de apoio às famílias comemora dez
anos de existência, mas continua a deparar-se com
grandes dificuldades
Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa
de Famílias Numerosas (APFN), faz um balanço de
«muito trabalho, muito esforço e alguns resultados»,
nos dez anos de existência da associação em
Portugal.
«Nestes dez anos, houve muito trabalho, muito
entusiasmo e alguns resultados, entre eles o
reconhecimento público e a adesão de empresas e de
municípios», afirma Fernando Castro ao tvi24.pt.
Para comemorar a data até foi editado um hino de
homenagem às famílias numerosas
Em relação às dificuldades sentidas há dez anos, o
presidente da APFN revela que «eram igualmente
difíceis». «As dificuldades de primeira ordem são as
mesmas que há dez anos e podem ser resolvidas pelo
governo central, que se mantém igualmente
indiferente ao envelhecimento da população», afirma.
«O governo central não está a levar muito a sério a
natalidade, nem a aplicar as medidas que a maioria
dos países europeus adoptou», acrescenta Fernando
Castro.
«Nada de essencial mudou»
Questionado pelo tvi24.pt sobre o que mudou nestes
dez anos, o presidente da APFN revela que «muito
pouco mudou»: «Nada de essencial mudou. Portugal é
dos países em que o abono de família depende do
estado civil dos pais», referindo que o governo
português «deve dar aos pais portugueses um abono de
família ao nível europeu, de pelo menos 100 euros,
independentemente do rendimento e estado civil dos
pais e da idade e número de filhos».
Numa época de crise torna-se mais complicado às
famílias gerirem o seu orçamento. No entanto,
Fernando Castro desvaloriza dizendo que «as famílias
numerosas vivem em constante crise porque o estado
tenta estrangulá-las constantemente».
«Não é por acaso que as famílias numerosas têm o
maior índice de pobreza em Portugal (48%)»,
acrescenta.
Fernando Castro afirma ainda que a crise que se
sente no país afecta principalmente «as famílias que
viviam mais desafogadas», visto que todas as
famílias numerosas vivem «com um aperto de cinto
constante».