Público última hora - 01 Abr 09

 

Ministros reconhecem problemas sociais sérios
Leonete Botelho

 

Teixeira dos Santos e Vieira da Silva acreditam que é possível prevenir explosões sociais

 

Primeiro foi o ministro de Estado e das Finanças. No segundo dia das jornadas parlamentares do PS em Guimarães, Teixeira dos Santos elegeu como "o problema mais sério" o "risco de tensões sociais que podem ser geradas pela crise". Depois foi Vieira da Silva, o ministro do Trabalho e Solidariedade: "Temos de nos preparar para momentos difíceis", embora considere possível evitar a explosão social - "depende da nossa capacidade de o prevenir".

 

"Não deixa de ser preocupante que esta quebra da actividade económica, com as implicações que terá no desemprego, possa gerar situações de natureza social muito delicadas. Precisamos de soluções que exigem uma atenção muito particular, porque, associado ao agravamento do desemprego, Portugal poderá assistir ao agravamento de problemas sociais sérios", advertiu o ministro das Finanças. Soluções que passam pela substituição do Estado à procura privada em queda, que é como quem diz, o reforço do investimento público.

 

A Vieira da Silva coube aprofundar a exposição das medidas sociais e a sua quantificação: 20 milhões de euros por dia para as medidas de apoio social de carácter não contributivo: complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção, abonos de família, subsídio social de desemprego. As transferências que, frisaram os ministros, têm evitado que milhares de portugueses fiquem em situação de miséria.

 

Diferente nestas jornadas tem sido o tom dos discursos: mais do que "malhar na oposição", os três ministros presentes - Finanças, Trabalho e Assuntos Parlamentares - gastaram mais tempo a justificar as opções políticas do Governo e a fazer o balanço da sua governação.

 

Quem apareceu no jantar de honra mas não participou nas jornadas foi Manuel Alegre, o histórico socialista que ainda mantém o tabu sobre a sua participação futura nas listas eleitorais do PS. "Vim a convite do meu camarada e amigo Alberto Martins e também por consideração pela cidade de Guimarães e o seu presidente António Magalhães, que faz aqui um trabalho notável, e pronto", afirmou aos jornalistas, recusando-se a justificar os motivos por que não participava nas jornadas parlamentares. "Vocês não são os meus controleiros", respondeu.

 

Alegre deixou, ainda assim, claro que não seria em Guimarães que teria qualquer encontro, público ou reservado, com o secretário-geral socialista, José Sócrates. "Encontramo-nos mais vezes do que vocês julgam", afirmou, enquanto rejeitava confirmar se já se encontrou com Sócrates depois da polémica entrevista ao Expresso, em que colocou condições de Governo para aceitar integrar as listas de deputados. "Quando for hora de falar, falarei."

 

Mesmo parco em palavras, Alegre voltou a demarcar-se da posição oficial do PS sobre as alegadas pressões a magistrados no caso Freeport. Ao contrário do porta-voz socialista, o ex-candidato presidencial reconheceu legitimidade ao presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público para falar. "Conheço-o, tenho por ele estima e consideração, assim como pelo PGR."

 

Alegre voltou a demarcar-se da posição oficial do PS sobre as alegadas pressões a magistrados no Freeport.