Portugal Diário -
23 Abr 07
Onde lhe pagam para ter filhos
Vários municípios têm subsídios de
incentivo à natalidade. Pais chegam a receber 7.500
euros pelo nascimento do terceiro filho. Objectivo é
combater a desertificação. Resultados estão à vista:
número de bebés está a aumentar
Para combater a desertificação
muitas são as localidades portuguesas que apostam em
subsídios de incentivo à maternidade. A que mais
recentemente adoptou esta medida foi a freguesia da
Lomba, em Gondomar, que começará a atribuir
incentivos em 2008.
O presidente da Junta, Joaquim
Viana, disse à agência Lusa que o subsídio à
natalidade vai ser de 100 euros para o primeiro
filho, 150 para o segundo e 200 para o terceiro. Os
pais beneficiarão ainda de um apoio mensal, a título
de comparticipação para o pagamento da creche, entre
cinco e 30 por cento rendimento per capita.
Na freguesia restam dois mil
habitantes, dos quais mais de 60 por cento já
ultrapassaram os 65 anos de idade, havendo apenas
135 crianças em idade escolar. «A situação agrava-se
radicalmente de ano para ano, com a saída de jovens
casais para as freguesias periféricas», assegurou o
presidente da Junta.
Várias autarquias do interior já
tinham lançado incentivos à fixação da população mas
não havia, até agora, notícia da adopção de medidas
similares na corda litoral do país.
A câmara de Vimioso, no distrito de
Bragança, foi a primeira do país a anunciar um apoio
financeiro de 500 euros aos bebés que nasçam naquele
concelho. No mesmo distrito, Carrazeda da Ansiães
atribui 7500 euros ao nascimento do terceiro filho.
Resultados à vista
Mora, no Alentejo, foi outro do
concelhos que adoptou esta medida e parece estar a
dar resultados. Segundo o município, os apoios
financeiros para incentivar o aumento da natalidade
começaram em Outubro de 2004, ano em que foram
atribuídos quatro mil euros, por seis nascimentos.
Em 2005 nasceram 14 bebés e em 2006 foram 44.
Os nascimentos no concelho de Mora
são subsidiados com 500 euros para o primeiro filho,
1.000 euros para o segundo e 1.500 para o terceiro.
Ainda no Alentejo, Mértola, dá
incentivos aos casais com baixos rendimentos, que
optarem pelo segundo filho através de subsídios
mensais nos primeiros cinco anos de vida da criança.
Mais a norte, em Murça, Vila Real,
cada nascimento recebe um apoio financeiro camarário
de 750 euros. Podem candidatar-se ao apoio a casais
com rendimentos inferiores ao valor global de 1.500
euros, ou 750 euros se for apenas um progenitor.
Para terem direito ao subsídio é necessário que os
candidatos residam e estejam recenseados no concelho
de Murça.
Também as juntas de freguesia de
Arroios, concelho de Vila Real, e Provezende,
concelho de Sabrosa, anunciaram um apoio financeiro
de 250 euros aos bebés lá nascidos. Arroios
disponibiliza um apoio financeiro de 250 euros a
todos os bebés.
A Junta de Provezende, concelho de
Sabrosa, diz que já viu resultados. Desde que lançou
o subsídio de 250 euros em 2006, já nasceram nesta
freguesia três bebés.
Nas Beiras a desertificação também se faz sentir e
os municípios sentiram necessidade de criar
incentivos. A Câmara do Fundão dá apoios financeiros
para a fixação de população e incentivo à natalidade
em seis freguesias do concelho.
Para os casamentos e fixação dos
casais nestas localidades, durante pelo menos
durante cinco anos, a verba a atribuir ronda os dois
mil euros. Quanto às verbas a conceder por cada
nascimento, o montante chega aos mil euros.
Em plena Serra da Estrela, Manteigas
vai dar mil euros a cada família que se radique na
área do município, por um período superior a três
anos.
Outra das acções a levar a cabo
prende-se com um incentivo à natalidade através da
atribuição de um subsídio por cada criança registada
em Manteigas, sendo concedidos 500 euros pelo
primeiro filho, 750 pelo segundo e mil euros pelo
terceiro e seguintes.
A autarquia adverte que só poderão
candidatar-se «os agregados familiares com
rendimentos até 150 por cento do salário mínimo
nacional».