Jornal de Negócios -
18 Abr 07
ACAP
Monovolumes
pagam mais entre 500 e 3.000 euros com novo imposto
A nova legislação
fiscal para os veículos vai implicar aumentos entre
500 e 3.000 euros nos impostos pagos pelos
compradores de monovolumes, indicam dados da
Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP)
, hoje apresentados no Parlamento.
Numa audição na
Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, a
propósito dos novos impostos sobre os veículos, os
dirigentes da ACAP criticaram o agravamento,
sublinhando que a maior fábrica automóvel em
Portugal, a Autoeuropa, produz este tipo de
veículos, segundo a agência Lusa.
No que diz
respeito aos monovolumes produzidos na Autoeuropa,
os dados apre sentados pela ACAP apontam para
aumentos de 1.084 euros no Volkswagens Sharan 2 .0
TDI e de 1.018 euros no Seat Alhambra 1.9 TDI.
Fernando Monteiro,
vice-presidente da ACAP, afirmou perante os
deputados que "a aplicação prática desta proposta
apresenta situações anómalas que importa corrigir",
citando o caso dos monovolumes, dos derivados de
passageiros e dos furgões comerciais de passageiros,
um segmento que "pode mesmo desaparecer" com a
proposta do governo.
É que no caso dos
furgões comerciais de passageiros de nove lugares,
utilizados por empresas, nomeadamente para
actividades de turismo, o imposto pago na matrícula
aumenta entre 2.360 e mais de 5.100 euros, conforme
os modelos, observou citado pela Lusa.
O secretário-geral
da ACAP sublinhou que, a manter-se a proposta, as
vendas daqueles veículos em Portugal poderão cair
até 50%, com a agravante de haver montagem
industrial deste tipo de veículos ligeiros em
Portugal e de as empresas que os compram nem poderem
deduzir o IVA por serem ligeiros de passageiros.
Relativamente aos
derivados, Hélder Pedro indicou que 70% das vendas
são para empresas e 30% para particulares e sugeriu
que o imposto ficasse inalterado nas vendas
profissionais e apenas tivesse o aumento previsto na
proposta (para 60% do IA normal) nas vendas a
particulares.
Quanto aos usados
importados, que já representam 22% dos veículos
vendidos em Portugal, Hélder Pedro criticou a
introdução de um novo escalão que permite reduções
de imposto para veículos a partir dos seis meses
(actualmente um ano) e propôs que as reduções
incidam apenas sobre a componente cilindrada e não
sobre a de CO2, uma vez que os veículos velhos são
mais poluentes.
Mário Martins da
Silva, vice-presidente do ACP (Automóvel Clube de
Portugal ), considerou que seria mais justo o
imposto de matrícula incidir sobre o valor de venda
e considerou que a carga fiscal pesada incentiva a
importação de veíc ulos usados, com prejuízo para a
segurança rodoviária e para o ambiente.