Público - 28 Abr 05

 

Nota positiva no primeiro balanço do projecto Escolas Navegadoras

 

Quando os alunos da EB1 de Avelar, concelho de Ansião, distrito de Leiria, puseram as mãos nos quadros interactivos e nos computadores que rapidamente se transformam em cadernos, esqueceram-se da hora do recreio. O estabelecimento escolar foi uma das três estruturas convidadas pelo Ministério da Educação a aderir ao projecto-piloto das Escolas Navegadoras.
As experiências de Avelar - a EB 2-3 também foi abrangida pelo programa - e da Secundária de Arouca foram ontem apresentadas no IV Encontro de Educação de Arouca, intitulada A Escola de Qualidade Constrói-se. José Paulo Santos, coordenador do projecto na secundária arouquense, referiu ao PÚBLICO que a metodologia recentemente implementada, com recurso às novas tecnologias da informação e comunicação, não pretende substituir o lápis ou o caderno, mas ser "mais um recurso, mais um apoio ao trabalho de aprendizagem". O problema, acrescentou, reside "na produção de conteúdos" dentro das salas de aula. "O professor tem, agora, a oportunidade de alterar a sua metodologia, a sua prática. Porém, a resposta dada até agora é muito tímida, deixada ao critério de cada professor, sem uma política institucional mais ousada, incentivadora de mudanças", defendeu o responsável.
"A monotonia da repetição castra a motivação dos alunos e dos professores", acrescentou. Salazar Pinheiro, coordenador do projecto em Avelar, sustentou que os alunos do 1.º ciclo do ensino básico manifestam "uma capacidade de assimilar tudo o que é fora do vulgar", não estranhando o novo material onde, neste caso, foram investidos cerca de 120 mil euros. Com o novo programa, as escolas receberam quadros interactivos (smart boards) e portáteis com ligação sem fios a um servidor, apetrechados com Internet e uma caneta que dá para escrever directamente no ecrã do computador (tablet PC). O que, na opinião dos docentes, cria "uma maior motivação dos alunos", torna "mais eficaz a organização dos trabalhos dos alunos e professores e, além disso, dá a possibilidade de os estudantes levarem para casa, em suporte informático, o material feito nas aulas, "para consultar sempre que quiserem".
Se tudo se mantiver como programado, as escolas interessadas em aderir ao projecto podem apresentar as suas candidaturas durante o próximo mês. A ideia é integrar mais 150 estabelecimentos de ensino no projecto Escolas Navegadoras. Sara Dias Oliveira

[anterior]