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Diário de Notícias - 28 Abr 05
Acesso à docência só com positiva a Matemática
Novas regras para recrutamente de
docentes só entrarão em vigor nos próximos concursos
S.J.
A ministra da Educação quer mais exigência no acesso à profissão
docente, sobretudo quando está em causa o ensino da matemática.
Segundo as novas regras, apresentadas ontem por Maria de Lurdes
Rodrigues, os estudantes que queiram seguir a carreira de professor
do 1.º ciclo terão que ter notas positivas a matemática ainda no
secundário. Paralelamente, o ensino da disciplina nos dois ciclos
seguintes (2.º e 3.º) passará a estar reservado aos diplomados em
matemática. Alterações que serão negociadas com as instituições de
ensino superior já durante este ano.
Como sublinhou a ministra após a apresentação pública do PISA 2003 -
um estudo internacional sobre o desempenho dos alunos a matemática
-, a maioria dos alunos que concorrem às escolas superiores de
educação para se tornarem docentes do 1.º ciclo do ensino básico
"terminam o 9.º ano com nota negativa" nesta disciplina. Por isso,
Maria de Lurdes Rodrigues quer que os futuros professores primários
passem a ter obrigatoriamente "um percurso positivo" a matemática,
sobretudo no ensino secundário.
Embora salvaguardando a autonomia das universidades nesta matéria, a
ministra explicou que vai negociar com as instituições do ensino
superior os critérios de acesso a estes cursos, de modo a que só
entrem os alunos com positivas a matemática.
Também a nível dos próprios currículos dos cursos destinados a
preparar os futuros professores primários, o Governo quer ver
introduzidas medidas que assegurem um maior peso da matemática na
formação superior. "É uma matéria que terá que ser trabalhada, mas
as instituições estão abertas ao diálogo", assegurou a ministra aos
jornalistas, admitindo, no entanto, que a "a negociação não se
ficará pelo aconselhamento". Segundo Maria de Lurdes Rodrigues, as
mudanças não vão passar por qualquer alteração do currículo do
ensino secundário, que foi alvo de uma reforma elaborada pelo
anterior Executivo.
Mas a exigência na preparação dos docentes não se limita ao 1.º
ciclo do ensino básico. A nível dos 2.º e 3.º ciclos, o ministério
quer que o recrutamento de professores para leccionar matemática
passe a incidir sobre diplomados nesta área. Como salientou a
ministra, "actualmente estes docentes não são obrigatoriamente
licenciados em matemática", tendo sido recrutados noutras áreas,
"numa altura em que se vivia uma escassez de recursos". Para
inverter esta situação, a tutela criará ainda este ano um despacho
destinado a alterar as habilitações necessárias ao seu recrutamento.
Segundo esclareceu ao DN o gabinete da ministra, "os professores que
estão vinculados ao ministério e têm habilitações reconhecidas não
verão alterada a sua situação". Como o concurso para o próximo ano
já está a decorrer, estas novas regras só entrarão em vigor nas
próximas listas de colocação de docentes.
Para João Dias da Silva, presidente da Federação Nacional de
Educação (FNE), as medidas anunciadas pelo Governo são "positivas",
mas é necessário saber "qual a sua calendarização e modo de
concretização". O sindicato aplaude a aposta na formação dos
professores, assim como no recrutamento de docentes licenciados em
matemática, mas lembra que é preciso que o Governo tenha em conta
"as expectativas" entretanto criadas nos profissionais.
"Que professores é que serão abrangidos aqueles cuja formação se
inicia no próximo ano lectivo ou os que já fizeram essa escolha?",
questiona. Dúvidas que, para já, o Ministério da Educação não
dissipou e que levam o sindicalista a chamar às medidas apresentadas
"uma mão cheia de boas intenções".
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