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Diário de Notícias - 28 Abr 05
Escolas primárias com horário
alargado e um só professor
Sofia Jesus
Todas as escolas primárias vão estar obrigatoriamente abertas até às
17.30, para que os alunos beneficiem de estudo acompanhado e outras
actividades extracurriculares. Esta é uma das medidas anunciadas
ontem pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para
combater o insucesso dos portugueses a matemática. A tarefa passará
por uma aposta no ensino, a que não escapa a estabilização do corpo
docente. Segundo assegurou ontem o primeiro-ministro, José Sócrates,
no ano lectivo de 2006/2007 os alunos vão passar a ter um único
professor ao longo dos quatro anos do 1.º ciclo do ensino básico.
As medidas foram anunciadas ontem pelos dois governantes no âmbito
da apresentação pública do PISA 2003, um estudo internacional da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),
que revela que um terço dos alunos portugueses tem níveis muito
baixos de literacia a matemática.
Para Maria de Lurdes Rodrigues, a "racionalização dos recursos
escolares" é uma das formas de tentar melhorar o desempenho dos
alunos, já que, segundo o PISA, muitos dos estudantes com más notas
não têm recursos educativos em casa.
Neste sentido, a obrigatoriedade de as escolas primárias alargarem o
seu horário de funcionamento até às 17.30 - a maioria, actualmente,
fecha às 15.00 - visa permitir que os alunos frequentem actividades
extracurriculares, "como o estudo acompanhado, o inglês ou o
desporto escolar". Não se trata necessariamente de um "prolongamento
da actividade lectiva", acrescentou a governante, à margem de um
debate realizado na Escola Secundária da Amadora, uma das 153
instituições de ensino portuguesas que participaram no PISA 2003.
Segundo a ministra, a medida será aplicada em articulação com as
associações de pais e as autarquias, "a quem compete a gestão não
curricular das escolas do 1.º ciclo". "O rácio de alunos por docente
no 1.º ciclo é de 12 estudantes por professor", lembrou a ministra
aos jornalistas, assegurando que a medida não implica a contratação
de mais docentes, mas antes um aproveitamento dos recursos humanos
já existentes nestas escolas. No caso dos estabelecimentos de ensino
em que "as dificuldades a nível das infra- -estruturas das salas"
exigem a existência de horários duplos (com aulas à tarde), a
situação será avaliada de outro modo. Para todos os outros, o
alargamento do horário será obrigatório já no próximo ano lectivo.
Segundo a ministra, "algumas escolas já o fazem", agora a ideia é
"generalizar as boas práticas" a todo o País.
No que concerne aos apoios educativos, a responsável pela tutela
anunciou que os professores a trabalhar nesta área serão colocados a
nível dos agrupamentos e todos terão que apresentar "relatórios dos
resultados obtidos".
A aposta na qualidade do ensino passará ainda pela alteração das
condições de acesso à profissão, obrigando os professores do 1.º
ciclo a ter tido no secundário "um percurso positivo" a matemática,
e os futuros docentes da disciplina no 2.º e 3.º ciclos a serem
diplomados nesta área. Ainda a nível do ensino primário, será dada
aos professores formação contínua em matemática, ao mesmo tempo que
se procederá à alteração das regras de aquisição de créditos para
progressão na cadeira docente (ver textos ao lado).
Considerando "decisiva" a estabilidade do professor nos primeiros
quatro anos de escolaridade, José Sócrates elogiou as propostas do
Ministério da Educação e adiantou que, no próximo ano lectivo, serão
tomadas medidas com vista à estabilização do corpo docente,
sobretudo a nível do 1.º ciclo do ensino básico. De acordo com o
primeiro-ministro, os efeitos práticos só serão sentidos no ano
lectivo de 2006/2007, onde os alunos passarão a ter o mesmo
professor ao longo dos quatro anos.
José Sócrates lembrou a necessidade de pôr em prática uma outra
medida, anunciada pelo Governo no início do mês, e que visa
preencher com "furos", os períodos em que os alunos ficam sem aulas,
devido à falta de um professor.
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