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Público - 27 Abr 05
Crianças e jovens não devem ser medicados com antidepressivos
A relação entre os antidepressivos e o suicídio nas crianças e
jovens levou a autoridade europeia do medicamento a recomendar o
não-uso daqueles fármacos nesta faixa etária, aviso que está a ser
seguido em Portugal.
Segundo uma nota do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento
(Infarmed), um aumento do risco de comportamentos suicidas em
ensaios clínicos com medicamentos antidepressivos em que
participaram crianças e adolescentes levou a Comissão Europeia a
solicitar ao Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) uma
reavaliação do risco de suicídio nestes grupos etários, processo que
finalizou na semana passada. Esta revisão envolveu duas classes de
antidepressivos: os Inibidores Selectivos da Recaptação da
Serotonina (ISRS) e os Inibidores da Recaptação da Serotonina e da
Norepinefrina (IRSN). O Comité de Medicamentos recomendou "a
não-utilização destes medicamentos em crianças e adolescentes,
excepto nas indicações aprovadas neste grupos etários".
O Infarmed alerta os médicos e os pais para a nova informação sobre
os riscos associados a estes medicamentos. Alguns destes
medicamentos estão autorizados para utilização em Pediatria, no
tratamento de distúrbios obsessivo-compulsivos e de défice de
atenção/distúrbio de hiperactividade. O Comité de Medicamentos
recomenda que, nos casos em que o médico prescreve estes
medicamentos na criança ou adolescente, os doentes sejam
rigorosamente monitorizados em relação ao aparecimento de
comportamento suicida, auto-agressividade ou hostilidade, "em
particular no início do tratamento".
António Trigueiros, pedopsiquiatra do Hospital de D. Estefânia, em
Lisboa, ouvido pela Lusa, considerou que a administração de
antidepressivos a jovens e crianças é segura, desde que os doentes
sejam acompanhados clinicamente, uma vez que "os antidepressivos não
resolvem todos os problemas". Lusa
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