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8 Jun 1999 - Projecto
de Lei 632 VII
A seu pedido, a APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas esteve
no passado dia 8 de Junho de 1999 presente na Assembleia
da República, juntamente com outras associações, a fim
de dar a sua opinião sobre o Projecto de Lei 632/VII à Comissão
Parlamentar de Saúde e à Comissão Parlamentar para a Paridade, Igualdade
de Oportunidade e Família, a quem agradece a oportunidade que nos foi
dada.
Foi dado conhecimento do nosso documento ao Primeiro Ministro, Presidente da
Assembleia da República, Presidentes dos Grupos Parlamentares e
principais órgãos de comunicação social.
Foi este o documento entregue na altura:
Exma Senhora
Presidente da Comissão para a Paridade, Igualdade de Oportunidade e Família
Exmo Senhor
Presidente da Comissão de Saúde
A APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas é de opinião que o
projecto de lei 632/VII não deve ser aprovado por ser
desnecessário, não ser solução para os problemas que
pretende resolver, agravar ainda mais a carga fiscal sobre
as famílias portuguesas e ser inconstitucional.
Com efeito:
1 - Este projecto de lei é desnecessário.
A educação sexual e planeamento familiar estão previstos na Lei 3/84 de 24
de Março, faltando ainda regulamentar alguns dos aspectos aí
referidos.
Só para citar um exemplo, grande parte das consultas de planeamento familiar
não têm nada a ver com os fins para que forem criadas,
limitando-se a aconselhar o meio anticonceptivo "mais
prático", sem se preocupar com aspectos que, embora
sejam considerados secundários, são extremamente importantes
no domínio da saúde física, psíquica e afectiva do indivíduo e do
casal.
Perguntamo-nos porque é que quinze anos ainda não terão sido suficientes
para a sua regulamentação.
A APFN está disponível para colaborar com as autoridades competentes no
sentido de, através de uma correcta regulamentação e
implementação, maximizar os efeitos positivos do impacto
desta lei na sociedade portuguesa.
2 - Este projecto de lei não é solução para os problemas que pretende
resolver.
Basta ver o que se tem passado nos países onde estas medidas foram já
implementadas, como é o caso da Inglaterra e Suécia, para se
verificar que as doenças sexualmente transmissíveis
(como é o caso da SIDA), as gravidezes indesejadas
(nomeadamente em adolescentes) e os abortos clandestinos aumentaram,
como seria de se prever (e muitos nacionais desses países alertaram
na altura!).
Em termos mais simples, o que se fez nesses países foi procurar combater um
incêndio com gasolina!
A APFN está igualmente preocupada com os problemas mencionados, problemas
esses que nos afectam directamente, tornando cada vez mais
difícil a nossa função de principais educadores dos
nossos filhos.
É bem sabido que estes problemas surgem na sequência da degradação da
Família e dos valores familiares. A solução passa, portanto, inevitavelmente, pelo fortalecimento das famílias.
3 - Este projecto de lei virá agravar ainda mais a carga fiscal sobre as
famílias portuguesas.
A distribuição gratuita de meios anticoncepcionais implica que seja o
orçamento de Estado a suportar, ou seja, aumentará ainda mais a
exagerada carga fiscal que sobrecarrega as famílias
portuguesas, sobretudo as maisnumerosas.
A APFN não concorda que a carga fiscal seja aumentada, mais a mais para os
fins a que se destina e numa altura em que se viu uma redução
na comparticipação de vários medicamentos
"autênticos" e uma redução na já reduzida
dedução com encargos de saúde no IRS.
4 - Este projecto de lei é inconstitucional porque, sendo a família
a célula fundamental da sociedade, e, como tal, os pais
os primeiros responsáveis pela educação dos seus
filhos, não pode o Estado sobrepor-se impondo um modelo
de "educação sexual" e "planeamento familiar", que não
passa de "meios expeditos de anticoncepção",
uma vez que, nesta matéria, devemos ter presente que a
intervenção do Estado tem que respeitar o princípio da subsidariedade.
A educação sexual não pode ser dada sem se falar de afectividade, respeito
e responsabilidade, ou seja de Amor.
Não podemos aceitar consultas de planeamento familiar dadas como se de
veterinária se tratasse, distribuindo-se gratuitamente meios anticoncepcionais como quem distribui rebuçados ou pastilhas
elásticas.
A APFN advoga que a solução passa pela formação dos pais. Essa formação
não só contribuirá para uma melhor educação dos
jovens, como, também, para uma melhor formação dos
próprios pais, fortalecendo-os individualmente como pessoas,
como casal e, consequentemente, como família.
A APFN está totalmente disponível para não só propôr soluções de
formação, como colaborarar activamente na sua
implementação.
5 - Finalmente, este projecto de lei fala em métodos anticoncepcionais de
emergência, sua divulgação e distribuição também gratuita
nos estabelecimentos de ensino, não precisando o
que pretende dizer com isso.
A APFN solicita ser esclarecida, por escrito, o que se entende como
"métodos anticoncepcionais de emergência", a
fim de poder tomar posição sobre o assunto.
Em resumo, as Famílias são os tijolos e o cimento da sociedade.
A degradação da Família e dos valores familiares degradam forçosamente a
sociedade, como infelizmente se tem observado noutros países e
já se conseguem distinguir fenómenos na nossa sociedade.
Com efeito, a Família é o ninho onde os valores da solidariedade, partilha,
respeito, responsabilidade, apoio mútuo, amor, ternura,
fortaleza, coerência, etc "são aprendidos
vivendo-se", fazendo com que a Família seja a verdadeira
escola de democracia e relacionamento entre gerações.
A Família é, assim, o ponto nº 1 para a prevenção das disfunções
sociais, como seja a droga, criminalidade, abusos sexuais,
SIDA, egoísmo, consumismo!
Por isso, a APFN-Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, advoga que,
para o combate ao aborto clandestino, gravidezes indesejadas e
propagação das doenças sexualmente transmissíveis,
deverão ser tomadas as seguintes medidas:
- Maior formação dos pais, para melhor formarem os filhos.
- Maior apoio às famílias, sobretudo as mais numerosas
- Melhor educação cívica nas escolas, nomeadamente nas vertentes de
"respeito", "vontade" e
"responsabilidade".
- Melhor preparação dos actuais e futuros formadores em
"planeamento familiar", no sentido de
aumentarem o número de consultas aos casais e não apenas
a mulheres e de darem uma melhor formação em todos os aspectos relacionados
com essa temática, nomeadamente saúde física, psíquica e afectiva,
e não apenas em termos de grau de sucesso ou insucesso em anticoncepção.
- Apoio do Estado às organizações já existentes com estes fins.
A APFN está totalmente disponível para colaborar com as entidades
competentes
neste programa, contribuindo, assim, para um verdadeiro aumento da
qualidade total da saúde na sociedade portuguesa, tal como é definida pela
Organização Mundial de Saúde.
Respeitosos cumprimentos
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